Arquivo da categoria: Depressão

>Depressão: O Mal do Século

>

Ultimamente tenho me espantado com a quantidade de pessoas com depressão que tenho encontrado. Até parece que é uma grande epidemia mundial. Porém, muitos ainda acham que simplesmente “estar triste” ou “estar pra baixo” por um motivo qualquer caracteriza a depressão.

Meu objetivo neste texto é reunir informações sobre esta doença. Sim! Doença! A depressão (também chamada de transtorno depressivo maior) é um problema médico caracterizado por diversos sinais e sintomas, dentre os quais dois são essenciais: humor persistentemente rebaixado, apresentando-se como tristeza, angústia ou sensação de vazio e redução na capacidade de sentir satisfação ou vivenciar prazer.

Outro mito que afasta pessoas de procurar ajuda, e as afasta mais ainda de buscar oração e orientação espiritual diz respeito à fé: ‘Pessoas de fé não ficam deprimidas’. Portanto pessoas que possuem uma crença e um relacionamento íntimo com Deus também ficam deprimidas. O que ocorre com muita freqüência é um esfriamento deste relacionamento com Deus, porque é próprio da depressão levar a uma dificuldade de concentração, a um sentimento de indignidade, imobilizando desta forma várias áreas da nossa vida, inclusive a fé.

São três os fatores se entrelaçam e podem determinar o surgimento da depressão: a história familiar de pacientes depressivos revela que seus parentes sofrem ou sofreram de depressão, tornando-os predispostos a desenvolverem a doença; o estresse é uma força propulsora que, agrupado a outros fatores, pode desencadear a depressão; a tristeza, o pesar das perdas e a solidão são fatores que, quando não bem elaborados, não expressados adequadamente, transformam-se em doenças, uma delas a depressão.

Para caracterizar o diagnóstico de depressão, foi criada a tabela de abaixo. Nela, cinco ou mais dos sintomas relacionados devem estar presentes. Dentre eles, um é obrigatório: estado deprimido ou falta de motivação para as tarefas diárias, há pelo menos duas semanas.

1) Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;

2) Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
3) Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
4) Dificuldade de concentração: habilidade freqüentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
5) Fadiga ou perda de energia;
6) Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
7) Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
8) Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
9) Idéias recorrentes de morte ou suicídio.

De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos;

1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
2) Distimia: 3ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.

São desdobramentos desses sintomas:
· Pessimismo
· Dificuldade de tomar decisões
· Dificuldade para começar a fazer suas tarefas
· Irritabilidade ou impaciência
· Inquietação
· Achar que não vale a pena viver; desejo de morrer
· Chorar à-toa
· Dificuldade para chorar
· Sensação de que nunca vai melhorar
· Desesperança
· Dificuldade de terminar as coisas que começou
· Sentimento de pena de si mesmo
· Persistência de pensamentos negativos
· Queixas freqüentes
· Sentimentos de culpa injustificáveis

Devemos ter em mente que depressão é uma doença grave e precisa ser tratada. O psiquiatra é o profissional mais indicado para o tratamento, pelo fato de haver um desequilíbrio químico cerebral em muitos casos. O tratamento clínico acompanhado de psicoterapia se torna mais eficaz, pois a psicoterapia vai levar o paciente a desenvolver habilidades para combater o problema e suas angústias. Porém é a perseverança na oração, mesmo nos momentos de maior aridez que vão sustentar a pessoa deprimida e dar-lhe força para enfrentar o tratamento.

Sendo o isolamento um fator desencadeante da depressão, uma das melhores formas de combatê-la é evitar este isolamento, buscando contato com pessoas que tenham significado em suas vidas, buscando atividades que possam ser úteis, ajudando outras pessoas necessitadas; ninguém é suficientemente “pobre” que não tenha nada para dar ou suficientemente “rica” que não necessite de carinho.

É obrigação nossa como seres humanos e cristãos estarmos sempre atentos para nossas reações físicas, pois o corpo fala, nos dá sinais de como está nossa saúde física, mental e espiritual.

Fiquemos também atentos às pessoas que estão ao nosso redor e nos procuram. Elas podem estar sofrendo caladas, esperando uma abertura, nem que seja uma pequena fresta para colocarem seus sentimentos e suas dores. Não podemos nos esquecer do calor humano que se expressa através do dar as mãos, não só no sentido figurativo, mas no seu verdadeiro sentido de abraçar, de acolher, de acalentar, de partilhar, de conversar, de compreender e de amar.