Arquivo da categoria: Espiritualidade

>Jesus, as obras boas ou más que fazemos determinam a nossa salvação?

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Hoje tive um sonho fantástico! Sonhei que estava conversando com Jesus. Ele, sempre atencioso e sorridente, demonstrava um grande amor por mim.

Num determinado momento da conversa, lembro que fiz uma pergunta: “Jesus, as obras boas ou más que fazemos determinam a nossa salvação?”. Jesus sorriu, e com um terno olhar me respondeu: “O que determina a salvação do mundo inteiro é o meu sangue derramado na cruz! As obras influem? Não! São consequências, atitudes de quem é muito amado e deseja retribuir tamanho amor!”

Depois dessa resposta acordei. Acordei de uma noite tranquila e restauradora. Acordei para a vida, e percebi que tudo o que faço ainda é pouco… não para garantir minha salvação, ou levar outros à salvação… mas para corresponder a esse imenso amor que me é oferecido gratuitamente, e levar mais e mais pessoas a abraçarem essa graça e retribuí-la com amor sincero e abundante.
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>Ressurreição, tempo de misericórdia

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O tempo é de ressurreição. Já não podemos mais ouvir os gritos do calvário, o movimento curioso de quem desejava a tragédia , a morte pública e cruel. O que temos é o jardim vistoso sugerindo primaveras. A vida revestida de cores mansas como se uma chuva miúda devolvesse aos poucos o frescor que combina com as manhãs.

O que me instiga em tudo isso é a falta de provas para o fato. O sepulcro estava aberto, vazio. Mas isso não era o suficiente para que a ressurreição fosse proclamada. Alguém poderia ter roubado o corpo. Não faltariam incrédulos para essa suspeita.

A certeza da ressurreição não consiste em provas materiais para o fato. A imposição dessa verdade não passa pela materialidade do mundo, nem tampouco pode ser explicada através das claras regras que foram postuladas por nossa razão cartesiana.

Estamos falando de algo maior, superior. O que despertou o grito da ressureição foi o encontro dos olhares de quem havia estado com Ele. Foi o momento em que João reconheceu em Pedro a presença do Mestre. Resquícios esquecidos na alma, doação existencial que o configurava de forma renovada, como se tivesse nascido de novo.

“Ele está no meio de nós!” – A voz proclama. Gita o que ainda não compreende. Grita o que intui em mistério, o que descobre aos poucos. A alma reconhece na carne o milagre da continuidade. Os desdobramentos da Eucaristia celebrada dias antes tornam-se evidentes. João vê na carne de Pedro a carne de Jesus. É o mesmo sangue, é a comunhão estabelecida. O sangue jorrado na cruz encontrou novas veias e por elas corre.

É o olhar epifânico ardendo como a sarça ardeu diante dos olhos de Moisés. Sarça humana, pupilas dilatas de alegria, incapacitadas de esconderem os olhos que estavam por trás dos olhos de Pedro. Olhos que deixaram de brilhar no calvário, mas que agora são reacendidos nos olhos do amigo que ficou. O apóstolo é a continuidade do Mestre. Simbiose que faz o agir ser o mesmo, como se uma costura atasse a vida de Pedro à vida de Cristo.

É o ser emprestado em sacramento, força que o altar atualiza e que a alma recebe prostrada, generosa. A sobrevivência do Cristo passa pela alma que o aceita. É preciso acolher o dom de ser ressurreto. Passa pela nossa carne esta mística que nunca terá fim. Não aceitá-la é o mesmo que viver a privação da felicidade. Não é possível ser feliz fora desta dinâmica. As religiões nos ensinam. É preciso aprender. O altar estendido é o banquete do encontro. O Cristo sentado à mesa nos ensina de forma simples e duradoura que é preciso crescer na ressurreição. Ele nos dá de comer. “Isto é o meu corpo”. Ele nos dá de beber. “Isto é o meu sangue”.

É Nele que nos transformamos. Quando por Ele nos decidimos, Dele nos tornamos continuidade. Cada um ao seu modo vive o seu processo. É estrada humana também. Jesus nos ensinou a humanidade antes de nos propor o céu. Por isso o aperfeiçoamento de tudo o que é humano é exercício de santidade. O pecado nos mata, mas a ressurreição nos socorre.

Viver e morrer são dinâmicas inevitáveis. Cada um sabe o tanto que morre. Cada um sabe o tanto que vive. As escolhas estão por toda parte.

Mas o Cristo está diante de nós. Em suas mãos não há outra coisa senão a sua Misericórdia. O motivo de sua morte é o motivo de nossa vida. Ele morreu porque quis nos ensinar que a justiça divina compreende também a sua capacidade de amar. Ele nos deu o direito de sermos íntimos do Pai. Ensinou caminhos simples, diretos, sem rodeios.

Ensinou que podemos ser santos, mesmo sendo proprietários de tantos defeitos. Ensinou que há sempre uma esperança escondida dentro de nós, e que procurar por ela é um jeito bonito que temos de colocar os nossos passos nas marcas de seus pés.

Neste tempo de Ressurreição queiramos a sua misericórdia.
Eu quero. Queira também. Eternamente.

Pe Fábio de Melo

>Uma questão de escolha

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O coração anda no compasso que pode. Amores não sabem esperar o dia amanhecer. O exemplo é simples. O filho que chora tem a certeza de que a mãe velará seu sono. A vida é pequena, mas tão grande nestes espaços que aos cuidados pertencem. Joelhos esfolados são representações das dores do mundo. A mãe sabe disso. O filho, não. Aprenderá mais tarde, quando pela força do tempo que nos leva, ele precisará cuidar dos joelhos dos seus pequenos. O ciclo da história nos direciona para que não nos percamos das funções. São as regras da vida. E o melhor é obedecê-las. Tenho pensado muito no valor dos pequenos gestos e suas repercussões. Não há mágica que possa nos salvar do absurdo. O jeito é descobrir esta migalha de vida que sob as realidades insiste em permanecer. São exercícios simples… Retire a poeira de um móvel e o mundo ficará mais limpo por causa de você. É sensato pensar assim. Destrua o poder de uma calúnia, vedando a boca que tem ânsia de dizer o que a cabeça ainda não sabe, e alguém deixará de sofrer por causa de seu silêncio. Nestas estradas de tantos rostos desconhecidos é sempre bom que deixemos um espaço reservado para a calma. Preconceitos são filhos de nossos olhares apressados. O melhor é ir devagar. Que cada um cuide do que vê. Que cada um cuide do que diz. A razão é simples: o Reino de Deus pode começar ou terminar, na palavra que que escolhemos dizer. É simples…

Pe Fábio de Melo

>Seguir Jesus: o cerne de toda espiritualidade cristã

>Seguir Jesus não é copiar – como escravo – a sua vida.
É fazer sua opção de vida dele, na originalidade de suas próprias possibilidades.
E na situação em que você vive concretamente.
É viver para os valores pelos quais Jesus viveu e morreu.
É, igualmente, seguir o caminho que Ele percorreu e fazer sua a mentalidade dele.
Quando esta vida e este caminho são indicados por Deus
E neles, Ele se revela mais fortemente
Aí está, então, a realidade do amor.
Da sua vida ficará o que se tornou amor.
O que é amor verdadeiro pode ser aprendido com Jesus.
Ele é, de fato, aquele que mais amou
Ele lhe ensina a esquecer você mesmo e transportar-se para o outro,
Pois ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida aos amigos.
Ele também lhe ensina a abrir-se aos outros sem limites:
A ser convite e disponibilidade.
“Vinde todos a mim que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei”.
Converta-se, então, cada dia em amor.
Transforme todas as suas energias em dom.
Mude interiormente e o Reino de Deus se manifestará através de você.
Você foi chamado a seguir Jesus sem reservas.
Com Ele você quer caminhar a Jerusalém, cidade de sofrimento e de glória.
Com Ele, quer dar tudo para que venha o Reino.
Neste caminho, você foi chamado para ser o menor, não para dominar;
Para carregar os fardos dos outros e não para os impor a eles;
Para dar liberdade em vez de tomá-la;
Para tornar-se pobre, fazendo os outros ricos;
Para tomar a cruz, dando alegria aos outros;
Para morrer a fim de que os outros vivam.
Isto é o segredo do Evangelho como boa notícia de vida,
Sobre o qual é melhor calar-se, pois o Evangelho torna-se somente verdadeiro e autêntico
Quando você o pratica.
Tenha sempre a Jesus Cristo diante dos olhos.
Não hesite em segui-lo.
Não pare, não olhe para trás, mas veja o que está na sua frente.


Referência: “Espiritualidade do discipulado”. Frater Henrique Cristiano José Matos, CMM – Editora O Lutador, pág 27.



>Vida Religiosa: Ser Consagrado a Deus para o serviço do Reino

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1. Identidade da Vida Religiosa Consagrada
A vida religiosa  é, antes de tudo, uma iniciativa de Deus na vida do batizado. Na gratuidade o Senhor chama o ser humano a uma íntima comunhão com Ele, convidando-o a conformar sua vida à do Cristo sob a atração do Espírito. E esta consagração específica está a serviço do Reino, projeto fundamental da missão de Jesus.
A livre aceitação desta imerecida predileção de amor do Pai, leva a pessoa a um aprofundamento de sua consagração batismal. Assume, em liberdade, uma vida cristiforme mediante a vivência dos conselhos evangélicos. É dentro da comunidade da Igreja que essa consagração adquire seu pleno significado.
O carisma da vida religiosa consagrada é essencialmente eclesial, sendo no interior da Igreja sinal e memória, testemunho e profecia dos valores centrais do Evangelho e do Reino.
A vida consagrada, de fato, “é uma diaconia para o Reino, de caráter público, provocativo, comunitário, criativo, audacioso, arraigado na experiência contemplativa de Deus que plasmou a vida e o seu destino”¹.

2. Em busca de uma vida cristiforme
O consagrado aspira a uma vida em crescente conformação com Cristo. Procura assimilar cada vez mais o estilo de vida de Jesus no seu modo de ser e agir. Semelhante programa de vida é normativo para todos os batizados e não algo privativo de eleitos! O religioso consagrado – por pura graça divina – é convidado a aprofundar e radicalizar o comum seguimento do Senhor na realidade histórica de hoje.
A vida consagrada tem, na Igreja, “a missão de fazer com que resplandeça a forma de vida de Cristo, por meio do testemunho dos conselhos evangélicos, para sustento da fidelidade de todo o Corpo de Cristo”².
3. A comunhão pessoal com o Senhor
Se a vida religiosa brota de um projeto de amor do Pai, no seguimento de Jesus, pela força do Espírito Santo, ela exige, por coerência interna, uma comunhão contínua com o Senhor. Deve expressar a primazia de Deus, fonte de seu sentido e realização, pois o homem – no dizer de Santo Agostinho (+ 430) – está feito para Deus e vive inquieto até encontrar Nele a paz. Coloca-se para o religioso a exigência incontornável de alimentar-se de uma espiritualidade sólida e profunda.

“Podemos dizer que a vida espiritual, considerada como vida em Cristo, vida segundo o Espírito, se apresenta como um itinerário de crescente fidelidade, onde a pessoa consagrada é guiada pelo Espírito e por Ele configurada com Cristo, em plena comunhão de amor e de serviço na Igreja.” (João Paulo II. A Vida Consagrada: exortação apostólica pós-sinodal sobre a Vida Consagrada e a sua missão na Igreja e no mundo (23-3-1996).

Trata-se de uma experiência de partilha de vida com o Senhor, de uma graça especial de intimidade com Ele. O próprio significado da vida religiosa e seu dinamismo interno dependem desse impulso espiritual, sem o qual ela se esvazia e descaracteriza. Abrange, substancialmente, uma fidelidade progressiva para responder à superabundância do amor divino na pessoa do religioso. Quem, de fato, entrega livremente sua própria vida a Cristo vive no desejo de se encontrar com Ele, para estar finalmente e para sempre com o Senhor!

4.  Escuta da Palavra e oração incessante

A Palavra de Deus é a primeira fonte da vida cristã. Sustenta na Igreja o relacionamento pessoal e comunitário com o Senhor. A renovada escuta da Palavra de Deus interpela, orienta e plasma a existência dos consagrados. É através dela que o Senhor se revela, e educa coração e inteligência do discípulo. Faz amadurecer igualmente a visão de fé, pois aprende-se a olhar a realidade e os acontecimentos com o mesmo olhar de Deus até chegar a ter o “pensamento de Cristo” (1Cor 2, 16). Um meio privilegiado que diariamente, nos coloca em contato íntimo com a Palavra de Deus é a celebração da eucaristia e seu prolongamento na Liturgia das Horas.
A eucaristia, como memorial pascal do Senhor, é o coração da vida da Igreja. Nela se encontram todas as formas de oração: “proclama-se e é acolhida a Palavra de Deus, somos interpelados a respeito de nossa relação com Deus, com os irmãos e com todos os homens: é o sacramento da filiação, da fraternidade e da missão. Sacramento da unidade com Cristo, a Eucaristia é contemporaneamente sacramento da unidade eclesial e da unidade da comunidade dos consagrados.
A Liturgia das Horas, por sua vez, insere nosso dia-a-dia no tempo de Deus e assim o “santifica” no sentido genuíno do termo. Para o religioso, a celebração da liturgia das horas deveria ser motivo de gratidão e alegria. Expressa seu mais profundo anseio: estar em comunhão permanente com o Senhor.

“Frequentemente, no entanto, a realidade é outra. Não poucas comunidades religiosas de vida apostólica perderam (ou nunca tiveram!) o gosto pelo Ofício Divino e caíram na apatia, no formalismo ou na rotina. É verdade que não devam ser minimalizadas as dificuldades em relação a esta oração da Igreja. Nota-se, muitas vezes, uma falta de formação, particularmente na jovem geração de consagrados, no que diz respeito à Liturgia das Horas”. 

Não é segredo para ninguém que uma celebração significativa da oração pública da Igreja exige uma introdução catequética adequada. Garantida esta, a Liturgia das Horas pode tornar-se para os consagrados um verdadeiro “kairós”, um tempo de graça, pelas riquezas espirituais e potencialidades orantes que representa.
Apresenta-se, igualmente, como uma expressão eloquente da vida comunitária na caridade fraterna pela qual os religiosos são chamados a serem sinais e testemunhas da Igreja.
5. Oração e fecundidade apostólica
A vida religiosa proclama pelo seu próprio ser o primado de Deus. De fato, sem Cristo nada podemos fazer (cf Jo 15, 5) e, de outro lado, tudo podemos Naquele que nos fá força (cf. Ef 4, 13). Quanto mais o consagrado se deixa conformar com Cristo, tanto mais fecunda será sua ação apostólica. Com uma vida paulatinamente transformada pelos valores do Evangelho, o profetismo – inerente a toda autêntica vida religiosa – ganhará qualidade e profundidade. Tornar-se-á um protesto silencioso mas eficaz contra uma sociedade desumana com sua ditadura do ter, seu mito de poder e seus mecanismos de exclusão.
Na íntima e perseverante comunhão de vida com o Senhor crescerá a caridade, razão de ser da nossa existência. Começaremos a viver-para-os-outros, privilegiando os últimos da sociedade (cf Mt 25, 40). Assim, o Deus encontrado na oração e na contemplação é igualmente descoberto naqueles com quem o Jesus histórico se identificou: pobres, oprimidos, marginalizados, idosos, doentes e prisioneiros.
Ñão resta dúvida: o nosso engajamento em prol do Reino depende da qualidade de nossa vida-em-Deus: “Eu sou a vinha, vós sois os sarmentos: aquele que permanece em mim e no qual eu permaneço, esse produzirá frutos em abundância, pois, separados de mim, nada pois fazer” (cf. Jo 15). É o próprio Jesus que nos dá o exemplo de como unir a comunhão com Deus e uma vida de intensa atividade. Sem o cultivo de tal unidade, o religioso corre o risco de colapso interior, de desorientação e desânimo, perdendo aos poucos a própria razão de ser de sua consagração.

“É, precisamente, no simples quotidiano que a vida consagrada cresce, em progressivo amadurecimento, a fim de se tornar anúncio de um modo de viver alternativo aos do mundo e da cultura dominante. Com o estilo de vida e a busca do Absoluto, sugere quase que uma terapia espiritual para os males do nosso tempo. Por isso, no coração da Igreja representa uma bênção e um motivo de esperança para a vida humana e para a própria vida eclesial”.

Extraído do livro Liturgia das Horas e Vida Consagrada,  
Frater Henrique Cristiano José Matos 

>Permanecei em mim…

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Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. 
Aquele que permanece em mim, 
como eu nele, esse dá muito fruto; 
pois sem mim, nada podeis fazer. 
Se permanecerdes em mim, 
e minhas palavras permanecerem em vós, 
pedi o que quiserdes e vos será dado. 
Nisto meu Pai é glorificado: 
que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. 
Como meu Pai me ama,  assim também eu vos amo. 
Permaneceis no meu amor. 
Eu vos disse isso, para que minha alegria esteja em vós,
 e a vossa alegria seja completa. 
(cf Jo 15, 1-11)

>Visita

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Deus esteve aqui.
Chegou quando o Sol ainda dormia
e me confidenciou algumas mudanças
na ordem da minha vida.
Sua beleza era tão intensa
que resolvi não discordar.
Sua voz suave fora tão convincente
que preferi ouvir sem interrompê-lo.
Depois, sentou-se à mesa da minha cozinha, 
bebeu uma xícara de café,
elogiou o sabor e se foi, 
quando eu ainda observava
o seu jeito de sorrir pra mim.

Pe Fábio de Melo, Tempo: saudades e esquecimentos

>A vinda do Reino

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Estamos no ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e dez! Antes de Cristo e depoisde Cristo! Assim se referem as indicações históricas. Mesmo quem não acreditan’Ele continua datando os acontecimentos a partir do Seu nascimento. A Ele a honrae a glória, Aquele que é o primeiro e o último, o princípio e o fim, Alfa eÔmega. E nós cristãos consideramos ano litúrgico o tempo que vai do primeirodomingo do Advento à Solenidade de Cristo Rei. Começa um tempo novo, ainda queo calendário não tenha chegado ao dia trinta e um de dezembro. Quando janeirovier, já estaremos imbuídos de uma nova mística, que vem do Alto!
A vinda do Reino, arealização da vontade do Pai e o reconhecimento da santidade de Seu nome seencontram presentes na oração mais perfeita, ensinada por Jesus, o Pai-Nosso.Temos em nós o desejo do infinito, o sonho da perfeição, para nunca nossaciarmos com algo que seja menos do que Deus. Sim, é o infinito do amor quenos atrai, para que caminhemos de perfeição em perfeição, até chegar àplenitude.
O Reino de Deusestá presente no mundo sem que precisemos buscar sinais estrondosos de suapresença. Basta-nos olhar ao redor para descobrirmos os seus sinais. Um reinoeterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça,reino de justiça, de amor e de paz. Mas este Reino devecrescer e se implantar, para que Deus seja tudo em todos.
Jesus Cristo é Rei,mas não nos modelos do mundo. Nós O vemos diante de Pilatos proclamando Seureinado, mas coroado de espinhos, dando a vida pela salvação de todos. Seutrono é a Cruz, na qual proclama decretos inusitados ao pedir ao Pai o perdãopelos próprios algozes ou ao anistiar o Bom Ladrão. De lá para cá, Seutrono-cruz foi plantado sobre colinas e dentro dos corações. Seu Reino seespalha silencioso, discreto e presente, contando com agentes que podem serpobres ou ricos, de todas as raças, línguas e nações. Nosso olhar mais atentomostrará sinais de esperança e sadio otimismo.
A pregação de Jesus éo anúncio do Reino de Deus, uma verdadeira paixão que perpassa todas as Suaspalavras. Reino que é comparado com plantas, rebanhos, histórias de pessoas efamílias transformadas em parábolas, para que as pessoas abram o coração eentendam o que Ele diz. Reino que já chegou e há de ser pedido na oração,misterioso! E mistério é algo que sempre pode ser um pouco mais compreendido,nunca se esgota!
Numa de Suasafirmações lapidares, o Senhor proclama “buscai o Reino de Deus e a suajustiça, e todas as coisas serão dadas por acréscimo” (cf. Mt 6,33). A atualização do Reino de Deus depende de nossa liberdade, poisse trata de uma forma nova de viver, que é proposta e não imposta. Àquelas pessoas quese deixarem provocar pelo Reino de Deus, a Igreja indica para estes dias de fimde ano um caminho de revisão de vida.
Que valoresorientaram as decisões tomadas nos diversos âmbitos da vida pessoal e social?Em torno de nós floresceu o respeito à vida e à dignidade das pessoas? Vivemospara os outros ou cada um se interessou apenas por si mesmo, sem olhar aoredor? Nossos sonhos e projetos incluem o bem comum? E as perguntas podem sermuitas, conduzindo a novas decisões. Não precisaremos buscar adivinhos ouprevisões futurológicas para vivermos o novo ano se vivermos bem cada momentopresente, iluminados pelos valores do Reino de Deus. Cada surpresa serábem-vinda!
E o que fazer com aseventuais dificuldades que certamente aparecem pelas esquinas da vida? Elasserão transformadas em novas decisões pelo serviço a Deus e ao próximo, nadivina alquimia do amor, lei suprema do Reino de Deus. O tempo do cristão não éapenas o correr inexorável do relógio, mas oportunidade (Kairós!), nova chance oferecida pela Providência Divina. E venha o Reino deDeus e a sua justiça!
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Dom Alberto TaveiraCorrêa
Arcebispo de Belém – PA

>Espiritualidade Salesiana

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O segredo do êxito de Dom Bosco educador está em sua intensa espiritualidade, ou seja, naquela energia interior que, nele, une inseparavelmente o amor de Deus e o amor do próximo, de modo a conseguir estabelecer uma síntese entre evangelização e educação.
A Espiritualidade Salesiana, expressão concreta desta caridade pastoral, constitui portanto um elemento fundamental da ação pastoral salesiana, é sua fonte de vitalidade evangélica, seu princípio de inspiração e de identidade, seu critério de orientação.


Trata-se de:



* Uma espiritualidade à medida dos jovens, especialmente dos mais pobres, que sabe descobrir a ação do Espírito em seu coração e colaborar no seu desenvolvimento.
* Uma espiritualidade do cotidiano, que propõe a vida ordinária como lugar do encontro com Deus.
* Uma espiritualidade pascal de alegria na operosidade, que desenvolve uma atitude positiva de esperança nos recursos naturais e sobrenaturais das pessoas, e apresenta a vida cristã como um caminho de bem-aventurança.
* Uma espiritualidade de amizade e relação pessoal com o Senhor Jesus, conhecido e freqüentado na oração, na Eucaristia e na Palavra.
* Uma espiritualidade de comunhão eclesial, vivida nos grupos e sobretudo na comunidade educativa, que une jovens e educadores num ambiente de família ao redor de um projeto de educação integral dos jovens.
* Uma espiritualidade de serviço responsável, que suscita em jovens e adultos um renovado empenho apostólico pela transformação cristã do próprio ambiente chegando ao empenho vocacional.
* Uma espiritualidade mariana, que se entrega com simplicidade e confiança à ajuda materna de Nossa Senhora.

Esta espiritualidade ajuda a discernir e enfrentar os desafios da ação pastoral, cria unidade entre todos os que compartilham e colaboram na missão.





Fonte: Site da Congregação SDB

>Em tudo amar e servir

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“Vem lutar por esta vida, por um mundo melhor. Seja o Sal da Terra inteira em nome de Deus. Seja a Vida, seja a Luz do Mundo, e aceite esta missão, pois Jesus vai estar contigo dentro do teu coração.”


Fomos escolhidos desde a eternidade para cooperar com a obra do Pai. Porém, muitas vezes nos sentimos fracos, incapazes, mas, é o Espírito Santo de Deus que nos move e nos capacita.

Até que recebessem o Espírito Santo, em Pentecostes, os Apóstolos viviam trancados, com medo. Após aquele dia, as palavras do Mestre se fizeram claras… Tudo foi compreendido, e após conhecer, era hora de anunciar.

Assim também acontece conosco. Após um encontro pessoal com Jesus, temos a oportunidade de andar com Ele, de conhecê-Lo. É hora de arregaçar as mangas… Destrancar as portas do cenáculo e sair para anunciar Aquele que nos enviou em missão.

O amor é o resumo de toda a Lei de Deus. Aquele que ama a Deus e não ama os irmãos que estão do lado, não conhecem a Deus, porque Ele é o Amor! Jesus ainda acrescentou: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”. Amai-vos! Este é o mandato.

Aquela que gerou o Amor, ainda nos ensina que para servir a Deus é necessário ter humildade. Ela que sempre esteve nos bastidores do evangelho, não se preocupou em aparecer, mas em apontar onde estava o seu Filho muito amado, Jesus Cristo.

Maria sempre confiou no poder de Deus. Em nenhum momento ela temeu, e não hesitou em dizer “SIM” à obra da Salvação. Mas nem tudo são flores… Ela é a mesma mulher cujo coração seria transpassado por espadas.

Maria dedicou toda a sua vida ao serviço como vemos na visitação à sua prima Isabel, onde foi ajudar nos preparativos para o nascimento de João Batista. Nas bodas de Caná também vemos que Maria esteve atenta e pronta para servir. Vendo a necessidade dos donos da festa, intercedeu por eles a Jesus…

Hoje, a exemplo de Maria, somos convidados a dizer mais uma vez “SIM” a Deus, entregando nossas vidas como instrumentos nas mãos d’Aquele que agirá por nós, e com a Virgem proclamar: “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra”.

Unindo o mandato de Jesus com o exemplo de Maria, cumpriremos a missão que nos é proposta. Perseveremos juntos em oração, e em comunhão seremos “um só coração e uma só alma”, unidos num mesmo propósito: “Em tudo amar e servir”.

“Aonde mandar eu irei.
Seu amor eu não posso ocultar.
Quero anunciar para o mundo ouvir
que Jesus é o nosso Salvador”