Arquivo da categoria: Imagens

>Porto Princípie… O que restou?

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“Por que é que Deus nega uma saída
ao homem que já não vê sentido para o seu caminho?
Em vez de comida, só me aparecem lágrimas;
servem-me gemidos em vez de água para beber.
Aquilo que eu tanto temia caiu sobre mim,
o que me aterrorizava aconteceu-me.
Não tenho sossego nem repouso;
vivo sem descanso, entre sobressaltos.

Caiu sobre mim o terror,
todo o meu corpo se transiu de medo.
O vento bateu no meu rosto
e todos os meus cabelos se puseram em pé.
Estava na minha frente, mas não o reconheci;
era como uma imagem diante de mim, em silêncio.

Grita, para ver se alguém te responde!
Para qual dos santos te vais voltar?
Pois a injustiça não nasce da terra
nem a miséria brota do chão.
É do próprio homem que nasce a miséria,
como centelhas a saltar do fogo e voando pelo ar.

Se fosse eu, voltava-me para Deus
e contava-lhe as minhas preocupações.
Ele faz maravilhas insondáveis
e prodígios que não têm conta.
Dá a chuva à terra,
manda a água para regar os campos;
faz levantar os humildes
e dá segurança aos aflitos…”

(Livro de Jó 3, 23 – 26; 4, 14 – 16; 5, 1 e 6-11)




O texto parece descrever o que vemos estampado na mídia:

Tragédias e mais tragédias, mortos e mais mortos…
O homem que brinca de Deus reconhece a força da natureza
Pena que tarde demais…
Cidades inteiras destruídas,
milhares de corpos espalhados pelas ruas…
Homens e mulheres, ricos e pobres,
negros, brancos, crianças ou adultos…
todos num mesmo patamar de medo, de tristeza.
Olhares perdidos no horizonte… Para onde ir? Nada restou
Tudo são ruínas… Por onde recomeçar? Quem restou?
No meio de tanta dor e aflição, o que ficou foi a Fé!




Fé: “Firme fundamento das coisas que se esperam

e prova das coisas que não se vêem.” (Hb 11, 1)

>As Imagens na Igreja Católica

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“Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto” (Ex 20, 4-5).

Eis a passagem que causa tantas controvérsias entre católicos e protestantes.

À primeira vista, temos a impressão de que de fato existe alguma coisa de errado em colocar imagens em igrejas ou outros lugares. Todavia, quando examinamos as Sagradas Escrituras e também a prática Dops primeiros cristãos transmitida até os nossos dias, pelo ensinamento da Igreja, encontramos algo diferente: Deus permitiu em determinados casos o uso de imagens, e nunca a Igreja católica levou seus fiéis a adorá-las.

Etimologicamente falando, a palavra idolatria é formada por duas palavras de origem grega: eidolon (imagem) e latreia (adoração). Desse modo, significa que o ídolo é transformado em objeto de adoração ou morada de uma divindade. Num sentido mais amplo, também indica outras realidades que acabam ocupando o lugar de Deus: dinheiro, poder, lazer, pessoas etc.

Quantas vezes uma pessoa se escandaliza com o uso das imagens por parte dos católicos e não percebe a presença da idolatria em sua mente e em seu coração, influenciando hábitos e costumes a ponto de fazer sombra ao próprio amor de Deus. Este é o ensinamento de Paulo em Cl 3,5: “mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria”.

A Idolatria é um dos mais graves pecados da criatura contra o seu Criador.

O ponto de partida para entender as palavras de Ex 20, 4: “Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra”, ou outros textos semelhantes (cf. Lv 19,4; Nm 33, 51-52; Dt 4, 25-26; 27, 14-15), é ter presente que Deus nunca se revelou de modo visível, por isso seria difícil representá-la por meio de alguma figura. Além disso, também existia a realidade religiosa dos povos com os quais os israelitas tinham contato. As divindades eram representadas pelas mais diferentes imagens. Deus não queria ser confundido com nenhuma delas.

É importante não perder de vista o fato de que a proibição diz respeito a imagens ou estátuas das divindades pagãs ou ídolos, principalmente por se tratarem de representações de seres humanos que nunca existiram, animais, astros ou outros elementos da natureza. (cf. Dt 4, 15-19).

Comparar a proibição bíblica aos ídolos pagãos com as imagens ou estátuas usadas na Igreja Católica é forçar os textos bíblicos, para levar a conclusões erradas e pecar contra a verdade. Deus condenou a adoração e o culto aos deuses pagãos. Em nenhuma Igreja Católica há imagens de deuses antigos ou novos. Pelo contrário, as estátuas e imagens, em nossas igrejas, recordam pessoas que realmente existira, às quais não se presta nenhuma adoração. Os santos representam pessoas que, em algum momento da história cristã, tornaram conhecido, pelo exemplo de vida e por palavras, o Deus único e verdadeiro. Por isso, servem como um auxílio para que possamos também amar e servir ao verdadeiro Deus. Olhando para as imagens ou estátuas e conhecendo o modo como praticam a fé, somos desafiados a dizer: “Se eles e elas puderam viver a Palavra de Deus, eu também posso”.

A idolatria existe quando se atribui divindade ou poderes sobrenaturais a uma imagem. O verdadeiro católico sabe que as imagens não têm poderes divinos, nem virtudes pelas quais devem ser adoradas. O uso de imagens ou estátuas a Igreja Católica segue orientação bíblica dada pelo próprio Deus em diversas ocasiões. Nesses casos o uso era para efeito decorativo e para utilizar a arte como meio para despertar a atenção para Deus.

– Quando foi construída a arca da aliança, foi dito a Moisés: “Farás também uma tampa de ouro puro, cujo cumprimento será de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro do outro” (Ex 25, 17-18).

– Também recebeu a ordem de fazer uma serpente de bronze para que os israelitas, ao olharem para ela, fossem curados do veneno das serpentes: “…o Senhor disse a Moisés: Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido olhando para ela será salvo” (Nm 21, 8).

– Davi dá ao seu filho Salomão os planos de Deus para a construção do Templo Santo de Jerusalém: “… do altar dos perfumes, em ouro fino, com seu peso; o modelo de carro dos querubins de ouro que estendem suas asas para cobrir a arca da aliança do Senhor. Tudo isso, disse Davi, todos os modelos dessa obra, foi o Senhor quem me ensinou por um escrito de sua mão” (1Cr 28, 18-19).

É interessante observar que ficou gravado detalhadamente na Bíblia como o Templo de Jerusalém foi decorado com imagens (cf. 1Rs 6, 19-32; 2Cr 3, 8-13). Nem por isso, Salomão é acusado de desconhecer a ordem de Deus contida no decálogo.

Na Encarnação do Verbo, Jesus Cristo mostrou aos homens uma face visível de Deus, que quis se servir de numerosos elementos sensíveis (imagens, palavras, cenas históricas…) para nos comunicar a Boa-Nova.

É relevante notar que já nas antigas Catacumbas de Roma, os antigos cemitérios cristãos, encontram-se diversos afrescos geralmente inspirados pelo texto bíblico: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens cantando na fornalha, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação efetuada por Jesus, o Peixe (Ichthys), que simbolizava o Cristo…

Os cristãos foram, então, compreendendo que segundo a pedagogia divina, deveriam passar da contemplação do visível ao invisível. As imagens, principalmente os que reproduziam personagens e cenas da história sagrada, tornaram-se “a Bíblia dos iletrados” ou analfabetos.

São Gregório de Nissa (†394) escreveu: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente”.

As imagens sempre foram usadas por Jesus e pelos Apóstolos como instrumentos eficazes e reveladores da realidade invisível: para anunciar o Reino de Deus usaram imagens de lírios, pássaros, sal, luz, etc., coisas que estimulavam a compreensão do abstrato através de imagens retiradas do mundo concreto. São Paulo também ensina que o Deus invisível tornou-se visível em Jesus Cristo (cf. Cl 1,15).

O pensamento simbólico é pensamento religioso propriamente dito. É na linguagem simbólica que se expressa a experiência do espiritual. Quando essa forma de pensamento não-conceitual deixa de ser usada ou é ridicularizada, produz-se a destruição de uma das disposições religiosas do ser humano. Quando se destruíram as imagens, destruiu-se o elemento que deixa o que é cristão transformar-se em sentimento. A imagem provoca e confirma o pensamento simbólico, sem o qual não se pode imaginar religiosidade viva. Observando imagens religiosas aprendemos a sentir simbolicamente. A melhor forma de introduzir crianças no mundo de concepções cristãs é através de imagens. Quando aprendemos a ver a imagem apenas como ‘ídolo’, destruímos a percepção para o pensamento simbólico.

“Todos os sinais da celebração litúrgica são relativos à Cristo: são-no também as imagens sacras da santa mãe de Deus e dos santos. Significam o Cristo que é glorificado neles. Manifestam ‘a nuvem de testemunhas’ (Hb 12,1) que continuam a participar da salvação do mundo e às quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental. Por meio de seus ícones, revela-se à nossa fé o homem criando ‘à imagem de Deus’(cf. Rm 8,29ss; 1Jo 3,2ss) e transfigurado ‘à sua semelhança’, assim como os anjos, também recapitulados em Cristo…” (CIC § 1161).