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>Literatura de Cordel: O Herói Domingos Sávio

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Resumirei pro leitor
Uma história singular
Cheia de ensinamentos,
Como tentarei mostrar…
Acredito de verdade
Com toda sinceridade
Que o leitor vai gostar!

A história é de um garoto

Aluno de São João Bosco;
Seu nome: Domingos Sávio
Que faleceu muito moço!
Um herói que fez caminho
Pisando rosas e espinhos
Num espantoso esforço!

Falemos da biografia

Daquele menino santo,
Que não duvido em dizer:
Sua vida foi um encanto!
Exemplo de amizade,
Gigante da santidade…
Como é que chega a tanto?
Nasceu em quarenta e dois
No dia dois de abril,
Era o século dezenove,
Qual flor primaveril
Que desabrocha e viceja
No jardim da Mãe Igreja
Difundindo graças mil.

Cresce o pequeno Sávio
Ou Domingos, se quiser,
Amado pelo papai
E a mamãe, santa mulher.
Esses com dedicação
Ensinaram-lhe com unção
Os rudimentos da fé.
Mas, é preciso dizer
Isso foi no Piemonte
Naquela Itália do Norte
Encastuada de montes,
Mistura de singeleza,
Indústria, fome e pobreza
Ali tinham suas fontes.

Por motivo de trabalho
A família foi morar
Perto de Castelnuovo
E Domingos a vibrar,
Procura seu capelão
Pra Primeira Comunhão
Em breve se preparar.

Páscoa de quarenta e novembro
Um dia de emoção
Domingos recebe o Cristo…
É Primeira Comunhão!
A grande felicidade
É sentida de verdade
No fundo do coração.

Entre lágrimas e risos
O pequeno ajoelhado
Promete a Virgem Mãe
E a Jesus Sacramentado
De cumprir com devoção
Os deveres de cristão
Na santa simplicidade.

Escreveu alguns propósitos
E gravou no coração
Como aquele de fazer
Mensalmente a confissão;
Ser amigo noite e dia
De Jesus e de Maria
Tendo a todos como irmãos!

Escreveu também na lista
Um propósito singular
Que marcou a sua vida,
Qual farol a iluminar,
O lema de quem é forte,
Escreveu: “MIL VEZES A MORTE,
MAS, NUNCA, NUNCA PECAR!”

Completando doze anos
Com Dom Bosco se encontrou
E um diálogo famoso
Entre os dois se operou…
Como a água cristalina
Que desce lá da colina
Buscando o mar o encontrou!

Dom Bosco vê no menino
Qualidades sem igual
E este revela ter
Vocação sacerdotal
E diz, franzindo a testa
“FAÇA DE MIM UMA VESTE
PRO PAPAI CELESTIAL!…”

Aceito no Oratório
Começou se preparar
Para sua vocação
Um dia realizar.
Jogou-se de coração
No estudo e na oração
Até se santificar.

Certo dia ouviu dizer
No contexto de um sermão
Que é a vontade de Deus,
Nossa santificação…
O pregador com talento
Impregnou-lhe na mente
Uma forte impressão!

Dom Bosco lhe ensina a fórmula
De chegar à santidade,
Preceituando: Alegria,
Trabalho, estudo e piedade,
Empenho na oração,
À violência um “Não”
E “Sim” à fraternidade.

Faça sempre o bem a todos
Não pra ser elogiado,
Mas, por amor a Jesus
Que morreu crucificado…
Recomenda-lhe Dom Bosco
E Domingos faz com gosto
Tudo aquilo e um bocado!

Numa certa ocasião
Um menino do Oratório
Exibia uma revista
De assunto “provocatório”
Cheia de imoralidade
Que pra falar a verdade
Congelava o purgatório!

Domingos não se conteve,
Aproximou-se da turminha
Que comentava as figuras
E soltava risadinhas,
Tomando-lhe a revista
Dizendo: “ninguém insista”
Rasgou-a em picadinhas.

O protesto foi geral
Mas Domingos não se calou:
“Por que trazem ao Oratório
Esse tipo de terror?
Isso é uma ofensa a Deus;
Por favor, amigos meus,
Não tragam mais, por favor!”

Certo dia uma notícia
No Oratório correu:
“Desapareceu Domingos…
Onde está? Que aconteceu?…
Procura aqui e acolá,
Em tudo quanto é lugar
A meninada mexeu.

O tinha visto na Missa,
Não o viram no café,
Às aulas não frequentou,
Onde está? Como é que é?
Aquilo foi um alvoroço
E depois de muito esforço
Disseram: tenhamos fé…

Foram contar a Dom Bosco
Transidos de emoção,
Dom Bosco tomou um susto
E disse com precisão:
“Santo Dio, O Mamma mia!”
E partiu pra sacristia
Com o coração na mão!

Avistando o Dominguinhos
De pé, em oração,
Com a mão direita estendida,
E a outra no coração…
Dom Bosco se aproximou
E o vidente acordou
Da santa contemplação.

Certamente contemplava
A Jesus – Eucaristia
Que havia recebido
Na manhã daquele dia.
Não sentiu passar o tempo
Seis horas foram um momento
Na mais doce companhia

Crescia assim o Domingos
Adquirindo a candura
Daqueles que se decidem
Por u’a vida santa e pura…
Como o infante Nazareno,
Domingos ia crescendo
Na santidade e estatura.

No inverno rigoroso
Do ano cinquenta e sete.
Domingos caiu doente,
Tosse, febre e diabete,
Fisicamente definhando,
Para o fim vai caminhando
E à morte se submete!

No Oratório não havia
Condições a melhorar…
Dom Bosco diz: “Meu Sávio,
Vá pra casa se tratar!”
Mas, ele que já previa,
Diz: “…aqui é que eu queria
Minha vida terminar!”

“Não fale assim! Você vai
Pra se restabelecer”
Diz Dom Bosco ao menino
Procurando convencer…
“E ao chegar a primavera
O Oratório lhe espera
Como todos vamos ver!”

Domingos diz a Dom Bosco
Começando a soluçar:
“Eu vou e não volto mais”
E concluiu a chorar:
“Com certeza e sem talvez,
Esta é a última vez
Que podemos conversar”.

Era o dia dois de março,
Despedida comovente!
Lá se vai o Dominguinhos
Enfrentando o frio e o vento,
Na carruagem do pai,
A Mondônio lá se vai
De uma vez para sempre!

Pois oito dias depois
O menino expirava
Nos braços do seu papai
E da mamãe que chorava…
E morria assim dizendo:
‘QUE COISA BELA ESTOU VENDO!…”
E com o olhar acenava.

Acenava pro infinito
Para o céu que contemplava,
Onde está Nossa Senhora
E Jesus que tanto amava.
Mergulha assim no Mistério,
Do sublime e puro etéreo
Que tanto em vida aspirava.

Domingos voltou aos seus
Ora em sonho, ora em visão
Apareceu a seu pai
E travou conversação
E no meio de um sorriso,
Disse: “ESTOU NO PARAISO”
Na celestial mansão!

Transcorridos alguns dias
Daquela morte exemplar,
Dom Bosco o vê em sonho.
Estava em certo lugar,
Parecia uma planície,
Nem era Lanzo, nem Nice,
Não era terra nem mar!

Na beleza inenarrável
Daquele imenso jardim,
Uma música suave
De flauta, tuba e clarim
Se difunde pelos ares
E um coro de milhares
De vozes, cantava assim:

“HONRA E GLÓRIA A DEUS PAI
CRIADOR E ONIPOTENTE…”
E uma multidão de jovens
Aparece de repente…
Dom Bosco, diz: “Que vejo!”
Naquele imenso cortejo
Domingos ia à frente!

O cortejo, então, parou
E a música também;
E uma luz tão brilhante
Que comparação não tem,
Resplandece no ambiente
E Domingos refulgente
Com Dom Bosco se entretém.

Quase sem acreditar;
Dom Bosco fica parado;
Mas, Domingos diz sorrindo:
“Por que está tão calado?
Por que não fala? Sou eu!
E Dom Bosco respondeu,
Desta vez encorajado!

Afinal, onde é que estamos?
No local: FELICIDADE!
Então, isto é o Paraíso?
E Domingos com bondade,
Não responde claramente…
Mas, de seu rosto fulgente
Jorra um raio de verdade!

Domingos manda um presente
Para os meninos de Dom Bosco:
Um ramalhete de flores
De variadíssimo gosto.
Dom Bosco em confusão
Pede-lhe explicação
Fitando-lhe bem o rosto!

A rosa, o senhor bem sabe,
Simboliza a CARIDADE!
Quanto à violeta frágil
Nos lembra a HUMILDADE!
O lírio com sua brancura
Recorda-nos a candura
Da belíssima CASTIDADE!

Este trigo aí no meio
Simboliza COMUNHÃO!
Sacramento que exige
A frequente confissão!
E por fim uma lembrança,
Símbolo da PERSEVERANÇA,
U’a sempreviva na mão!

Dom Bosco ao acordar
Daquele sonho feliz,
Exclama: “Se eu fosse o Papa…”
E pensa bem no que diz:
Sem duvidar nem um pingo
Canonizava o Domingos
Ao lado de São Luiz!

Passaram-se alguns anos
Pra beatificação
Daquele menino santo
E o mundo com emoção
Esperava noite e dia
Na certeza que veria
Sua CANONIZAÇÃO!

Um brilhante sol raiou
Sob um céu cor-de-anil,
Naquela manhã de junho
De clima primaveril
E na praça majestosa
Aguarda tumultuosa
Uma massa juvenil!

Quando o Papa Pio XII
Declarou canonizado
O SANTO DOMINGOS SÁVIO,
Seu nome foi aclamado…
O mundo inteiro aplaudiu…
Quem estava lá sentiu
O Vaticano abalado!

Domingos Sávio, bendito!
És encanto dos encantos!
Para a glória dos altares,
Foste escolhido entre tantos…
Receba a nossa homenagem,
Estou também de passagem:
VALDEMAR PEREIRA DOS SANTOS!



Autoria: Pe Valdemar Pereira dos Santos, sdb
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