Arquivo da categoria: Salesianidade

>Dom Rua, "O Sucessor"

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>O sonho das duas colunas – Dom Bosco

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Em 26 de maio de 1862 São João Bosco tinha prometido a seus jovens que lhes narraria algo muito agradável nos últimos dias do mês.
Em 30 de maio, pois, de noite contou-lhes uma parábola ou sonho segundo ele quis denominá-la. Eis aqui suas palavras:
“Quero-lhes contar um sonho. É certo que o que sonha não raciocina; contudo, eu que contaria a Vós até meus pecados se não temesse que saíssem fugindo assusta”dos, ou que caísse a casa, este o vou contar para seu bem espiritual. Este sonho o tive faz alguns dias.
“Figurem-se que estão comigo junto à praia, ou melhor, sobre um escolho isolado, do qual não vêem mais terra que a que têm debaixo dos pés. Em toda aquela vasta superfície líquida via-se uma multidão incontável de naves dispostas em ordem de batalha, cujas proas terminavam em um afiado esporão de ferro em forma de lança que fere e transpassa todo aquilo contra o qual arremete. Estas naves estão armadas de canhões, carregadas de fuzis e de armas de diferentes classes; de material incendiário e também de livros, e dirigem-se contra outra nave muito maior e mais alta, tentando cravar-lhe o esporão, incendiá-la ou ao menos fazer-lhe o maior dano possível.
“A esta majestosa nave, provida de tudo, fazem escolta numerosas navezinhas que dela recebiam as ordens, realizando as oportunas manobras para defender-se da frota inimiga. O vento lhes era adverso e a agitação do mar parece favorecer aos inimigos.
“Em meio da imensidão do mar levantam-se, sobre as ondas, duas robustas colunas, muito altas, pouco distantes a uma da outra. Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, a cujos pés vê-se um amplo cartaz com esta inscrição: Auxilium Christianorum. (Auxilio dos Cristãos)
“Sobre a outra coluna, que é muito mais alta e mais grossa, há uma Hóstia de tamanho proporcionado ao pedestal e debaixo dela outro cartaz com estas palavras: Salus credentium. (Salvação dos crentes)
“O comandante supremo da nave maior, que é o Romano Pontífice, ao perceber o furor dos inimigos e a situação difícil em que se encontram seus fieis, pensa em convocar a seu redor aos pilotos das naves ajudantes para celebrar conselho e decidir a conduta a seguir. Todos os pilotos sobem à nave capitaneada e congregam-se ao redor do Papa. Celebram conselho; mas ao ver que o vento aumenta cada vez mais e que a tempestade é cada vez mais violenta, são enviados a tomar novamente o mando de suas respectivas naves.
“Restabelecida por um momento a calma, O Papa reúne pela segunda vez aos pilotos, enquanto a nave capitã continua seu curso; mas a borrasca torna-se novamente espantosa.
“O Pontífice empunha o leme e todos seus esforços vão encaminhados a dirigir a nave para o espaço existente entre aquelas duas colunas, de cuja parte superior pendem numerosas âncoras e grosas argolas unidas a robustas cadeias.
“As naves inimigas dispõem-se todas a assaltá-la, fazendo o possível por deter sua marcha e por afundá-la. Umas com os escritos, outras com os livros, outras com materiais incendiários dos que contam em grande abundância, materiais que tentam arrojar a bordo; outras com os canhões, com os fuzis, com os esporões: o combate torna-se cada vez mais encarniçado. 
“As proas inimigas chocam-se contra ela violentamente, mas seus esforços e seu ímpeto resultam inúteis. Em vão reatam o ataque e gastam energias e munições: a gigantesca nave prossegue segura e serena seu caminho.

“Às vezes acontece que por efeito dos ataques de que lhe são objeto, mostra em seus flancos uma larga e profunda fenda; mas logo que produzido o dano, sopra um vento suave das duas colunas e as vias de água fecham-se e as fendas desaparecem.

“Disparam enquanto isso os canhões dos assaltantes, e ao fazê-lo arrebentam, rompem-se os fuzis, o mesmo que as demais armas e esporões. Muitas naves destroem-se e afundam no mar. 
“Então, os inimigos, acesos de furor começam a lutar empregando a armas curtas, as mãos, os punhos, as injúrias, as blasfêmias, maldições, e assim continua o combate.
“Quando eis aqui que o Papa cai ferido gravemente. Imediatamente os que lhe acompanham vão a ajudar-lhe e o levantam. O Pontífice é ferido uma segunda vez, cai novamente e morre. Um grito de vitória e de alegria ressoa entre os inimigos; sobre as cobertas de suas naves reina um júbilo inexprimível.
“Mas apenas morto o Pontífice, outro ocupa o posto vacante. Os pilotos reunidos o escolheram imediatamente; de sorte que a notícia da morte do Papa chega com o da eleição de seu sucessor. Os inimigos começam a desanimar-se.
“O novo Pontífice, vencendo e superando todos os obstáculos, guia a nave em volta das duas colunas, e ao chegar ao espaço compreendido entre ambas, a amarra com uma cadeia que pende da proa uma âncora da coluna que ostenta a Hóstia; e com outra cadeia que pende da popa a sujeita da parte oposta a outra âncora pendurada da coluna que serve de pedestal à Virgem Imaculada. Então produz-se uma grande confusão.

“Todas as naves que até aquele momento tinham lutado contra a embarcação capitaneada pelo Papa, dão-se à fuga, dispersam-se, chocam entre si e destroem-se mutuamente. Umas ao afundar-se procuram afundar às demais. Outras navezinhas que combateram valorosamente às ordens do Papa, são as primeiras em chegar às colunas onde ficam amarradas.
“Outras naves, que por medo ao combate retiraram-se e que se encontram muito distantes, continuam observando prudentemente os acontecimentos, até que, ao desaparecer nos abismos do mar os restos das naves destruídas, remam rapidamente em volta das duas colunas, e chegando às quais se amarram aos ganchos de ferro pendentes das mesmas e ali permanecem tranqüilas e seguras, em companhia da nave capitã ocupada pelo Papa. No mar reina uma calma absoluta.”

Ao chegar a este ponto do relato, Don Bosco perguntou a São Miguel Rua:
— O que pensas desta narração?
São Miguel Rua respondeu:
— Parece-me que a nave do Papa é a Igreja da qual ele é a Cabeça: as outras naves representam aos homens e o mar ao mundo. Os que defendem à embarcação do Pontífice são os fieis à Santa Se; os outros, seus inimigos, que com toda sorte de armas tentam aniquilá-la. As duas colunas salvadoras parece-me que são a devoção a María Santíssima e ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.
São Miguel Rúa não fez referência ao Papa cansado e morto e São João Bosco nada disse tampouco sobre este particular. Somente acrescentou:

— Hás dito bem. Somente terei que corrigir uma expressão. As naves dos inimigos são as perseguições. Preparam-se dias difíceis para a Igreja. O que até agora aconteceu (na história da Igreja) é quase nada em comparação ao que tem de acontecer. Os inimigos da Igreja estão representados pelas naves que tentam afundar a nave principal e aniquilá-la se pudessem. Só ficam dois meios para salvar-se dentro de tanto desconcerto! Devoção a Maria. Freqüência dos Sacramentos: Comunhão freqüente, empregando todos os recursos para praticá-la nós e para fazê-la praticar a outros sempre e em todo momento. Boa noite!

>P. Miguel Rua: um outro Dom Bosco

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Os salesianos celebraram neste ano o centenário da morte do P. Miguel Rua, o primeiro sucessor de Dom Bosco (06/04/1910 – 06/04/2010). Com esta ocasião, o reitor-mor, P. Pascual Chavez Villanueva, fez-nos a proposta de olharmos para a vida do P. Rua e nos espelharmos em seu exemplo de fidelidade a Dom Bosco e de amor à missão salesiana.

Miguel Rua nasceu em Turim, no dia 9 de junho de 1837. É o caçula de nove irmãos e orfão de pai desde os seus oito anos de idade. Foi um dos primeiros meninos a participar do Oratório de Dom Bosco. Quando iria começar a trabalhar como operário na mesma fábrica onde seu pai trabalhava, é convidado pelo próprio Dom Bosco a continuar os seus estudos no oratório.
Um fato curioso, aliás, marcou estes seus primeiros anos no oratório. Dom Bosco estava a distribuir algumas medalhas para os jovens do oratório, e Miguel Rua está no último lugar da fila. Quando chega a sua vez, as medalhas já haviam acabado. O padre, no entanto, tomando a mão de Miguel, faz um gesto como se estivesse partindo alguma coisa, e diz: “Toma Miguelzinho! Nós dois faremos tudo meio a meio”. Miguel era ainda muito novo para entender o que de fato Dom Bosco queria dizer com este gesto (veja no vídeo abaixo).


No oratório, era um fiel colaborador de Dom Bosco. De seu grupo, faziam parte aqueles jovens que, mais tarde, seriam os pilares da Congregação Salesiana como João Cagliero, Angelo Savio e João Bonetti, por exemplo. Além de São Domingos Sávio, amigo de Miguel Rua e companheiro da Companhia da Imaculada, um grupo que tinha como objetivo acolher e dar testemunho cristão para os novos jovens que chegavam ao oratório.
Tamanha disponibilidade e amor ao oratório fizeram com que Dom Bosco convidasse Miguel Rua a ser o primeiro a fazer os votos de pobreza, castidade e obediência como salesiano, no dia 25 de março de 1855.
Sendo agora oficialmente um colaborador do oratório, Rua é incumbido das aulas de matemática e religião, da assistência no refeitório, no pátio e na capela, e de passar a limpo todas as cartas e publicações de Dom Bosco. E, além de tudo isso, continuar os seus estudos para ser padre. Detalhe: Miguel Rua tinha apenas 17 anos nesta época.


Em 1859, um ano antes de ser ordenado padre, Rua acompanha Dom Bosco em sua audiência com o papa Pio IX, para pedir a aprovação da regra de vida dos salesianos. Alguns anos depois, o P. Rua assume a direção da primeira casa salesiana fora de Turim, na cidade de Mirabello. Na época, fez o propósito de “ser outro Dom Bosco em Mirabello”.
Mas o P. Rua não ficará em Mirabello por muito tempo. Logo é chamado para retornar a Valdocco, e substituir Dom Bosco em tudo, na direção da casa-mãe dos salesianos.

Estando Dom Bosco já doente, em 1884, o papa Leão XIII nomeia o P. Rua vigário geral da Congregação Salesiana. O mesmo papa confirmará, quatros anos depois, o mesmo P. Rua como o primeiro sucessor de Dom Bosco no governo e na animação dos salesianos.
O P. Rua ficou conhecido pela sua grande fidelidade a Dom Bosco, de forma a ser chamado “Regra Viva”, pelos seus irmãos salesianos. O propósito de dar continuidade à missão salesiana, sendo fiel ao espírito original de Dom Bosco, foi a principal motivação de sua vida. Enfrentou inúmeras dificuldades no governo da Congregação. Mas, no entanto, colaborou eficazmente com o seu crescimento, tanto no número de salesianos como no número de presenças pelo mundo.
Morreu no dia 6 de abril de 1910, com 73 anos. E foi beatificado em 1972, pelo papa Paulo VI.

>Dom Bosco, o Sonhador

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João Bosco nasceu em 16 de agosto de 1815 numa pequena fração de Castelnuovo D’Asti, no Piemonte (Itália), chamada popularmente de “os Becchi”.

Ainda criança, a morte do pai fez com que experimentasse a dor de tantos pobres órfãos dos quais se fará pai amoroso. Em Mamãe Margarida, porém, teve um exemplo de vida cristã que marcou profundamente o seu espírito.

Aos nove anos teve um sonho profético: pareceu-lhe estar no meio de uma multidão de crianças ocupadas em brincar; algumas delas, porém, proferiam blasfêmias. Joãozinho lançou-se, então, sobre os blasfemadores com socos e ponta-pés para fazê-los calar; eis, contudo, que se apresenta um Personagem dizendo-lhe: “Deverás ganhar estes teus amigos não com bastonadas, mas com a bondade e o amor… Eu te darei a Mestra sob cuja orientação podes ser sábio, e sem a qual, qualquer sabedoria torna-se estultícia”. O Personagem era Jesus e a Mestra Maria Santíssima, sob cuja orientação se abandonou por toda a vida e a quem honrou com o título de “Auxiliadora dos Cristãos”.

Foi assim que João quis aprender a ser saltimbanco, prestidigitador, cantor, malabarista, para poder atrair a si os companheiros e mantê-los longe do pecado. “Se estão comigo, dizia à mãe, não falam mal”. Desejando fazer-se padre para dedicar-se totalmente à salvação das crianças, enquanto trabalhava de dia, passava as noites sobre os livros, até que, aos vinte anos, pode entrar no Seminário de Chieri e, em 1841, ser ordenado Sacerdote em Turim, aos vinte e seis anos. Turim, naqueles tempos, estava cheia de jovens pobres em busca de trabalho, órfãos ou abandonados, expostos a muitos perigos para alma e para o corpo. Dom Bosco começou a reuni-los aos domingos, às vezes numa igreja, outras num prado, ou ainda numa praça para fazê-los brincar e instruí-los no Catecismo até que, após cinco anos de grandes dificuldades, conseguiu estabelecer-se no bairro periférico de Valdocco e abrir o seu primeiro Oratório.

Os garotos encontravam aí alimento e moradia, estudavam ou aprendiam uma profissão, mas sobretudo aprendiam a amar o Senhor: São Domingos Sávio era um deles. Dom Bosco era amado incrivelmente pelos seus “molequinhos” (como os chamava). A quem lhe perguntava o segredo de tanta ascendência, respondia: “Com a bondade e o amor, eu procuro ganhar estes meus amigos para o Senhor”. Sacrificou por eles seu pouco dinheiro, seu tempo, seu engenho, que era agudíssimo, sua própria saúde. Com eles se fez santo. Para eles fundou a Congregação Salesiana, formada por sacerdotes e leigos que querem continuar a sua obra e à qual deu como “finalidade principal apoiar e defender a autoridade do Papa”.

Querendo estender o seu apostolado também às meninas, fundou, com Santa Maria Domingas Mazzarello, a Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora. Os Salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora espalharam-se pelo mundo todo a serviço dos jovens, dos pobres e dos que sofrem, com escolas de todos os tipos e graus, institutos técnicos e profissionais, hospitais, dispensários, oratórios e paróquias. Dedicou todo o seu tempo livre subtraído, muitas vezes, ao sono, para escrever e divulgar opúsculos fáceis para a instrução cristã do povo.

Foi, além de um homem de caridade operosa, um místico entre os maiores. Toda a sua obra foi haurida na união íntima com Deus que, desde jovem, cultivou zelosamente e desenvolveu no abandono filial e fiel ao plano que Deus tinha predisposto para ele, guiado passo a passo por Maria Santíssima, que foi a Inspiradora e a Guia de toda a sua ação.

Sua perfeita união com Deus foi, talvez como em poucos Santos, unida a uma humanidade entre as mais ricas pela bondade, inteligência e equilíbrio, à qual se acrescenta o valor de um conhecimento excepcional do espírito, amadurecido nas longas horas passadas todos os dias no ministério das confissões, na adoração ao Santíssimo Sacramento e no contato contínuo com os jovens e com pessoas de todas as idades e condições.

Dom Bosco formou gerações de santos porque levou os seus jovens ao amor de Deus, à realidade da morte, do julgamento de Deus, do Inferno eterno, da necessidade de rezar, de fugir do pecado e das ocasiões que levam a pecar, e de aproximar-se freqüentemente dos Sacramentos.

“Meus caros, eu vos amo de todo o coração, e basta que sejais jovens para que vos ame muitíssimo”. Amava de tal forma que cada um pensava ser o predileto.

“Encontrareis escritores muito mais virtuosos e doutos do que eu, mas dificilmente podereis encontrar alguém que vos ame mais em Jesus Cristo, e mais do que eu deseje a vossa verdadeira felicidade”.

Extenuado em suas forças pelo incessante trabalho, adoentou-se gravemente. Particular comovente: muitos jovens ofereceram ao Senhor a própria vida por ele. “… Aquilo que fiz, eu o fiz para o Senhor… Poder-se-ia ter feito mais… Mas os meus filhos o farão… A nossa Congregação é conduzida por Deus e protegida por Maria Auxiliadora”.

Uma de suas recomendações foi esta: “Dizei aos jovens que os espero no Paraíso…”. Expirava em 31 de janeiro de 1888, em seu pobre quartinho de Valdocco, aos 72 anos de idade. Em 1º de Abril de 1934, foi proclamado santo pelo papa Pio XI, que teve a felicidade de conhecê-lo.

>São João Bosco, grande apóstolo da juventude

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Figura ímpar, modelo de santidade no século XIX, D. Bosco foi escritor, pregador e fundador de duas congregações religiosas, tendo sobretudo exercido admirável apostolado junto à juventude, numa época de grandes transformações. Dotado de discernimento dos espíritos, do dom da profecia e dos milagres, era admirado pelos personagens mais conhecidos da Europa no seu tempo.

Nascido em Murialdo, aldeia de Castelnuovo de Asti, no Piemonte, aos dois anos de idade faleceu-lhe o pai, Francisco Bosco. Mas felizmente tinha ele como mãe Margarida Occhiena, que lembra a mulher forte do Antigo Testamento.

Com sua piedade profunda, capacidade de trabalho e senso de organização, conseguiu manter a família, mesmo numa época tão difícil para a Europa como foi a do início do século XIX, dilacerada pelas cruentas guerras napoleônicas. João Bosco tinha um irmão, dois anos mais velho que ele, e um meio-irmão já entrando na adolescência.

De origem simples e religiosa; a mãe, exemplo de virtudes

A influência da mãe sobre o filho caçula foi altamente benéfica. “Parece que a paciência e a doce firmeza de Mamãe Margarida influenciaram São João Bosco, e que toda uma parte de sua amenidade, de seus métodos afáveis, deve ser atribuída aos modos de sua mãe, à sua maneira de ordenar e de prescrever, sem gritos nem tumulto. […]

Margarida terá sido uma dessas grandes educadoras natas, que impõem sua vontade à maneira de doce implacabilidade” […].

“João Bosco é um entusiasta da Virgem. Mamãe Margarida lhe revelou, pelo seu exemplo, a bondade, a ternura, a solicitude de Mamãe Maria. As duas mães se confundem em seu coração. Dom Bosco será um dos grandes campeões de Maria, seu edificador, seu encarregado de negócios”1.

A Providência falava a São João Bosco em sonhos


A Providência falava a ele, como a São José, em sonhos. Aos nove anos teve o primeiro sonho profético, no qual — sob a figura de um grupo de animais ferozes que, sob sua ação, vão se transformando em cordeiros e pastores — foi-lhe mostrada sua vocação de trabalhar com a juventude abandonada e fundar uma sociedade religiosa para dela cuidar.

Extremamente dotado, tanto intelectual quanto fisicamente, era um líder nato. Por isso, “se bem que pequeno de estatura, tinha força e coragem para meter medo em companheiros de minha idade; de tal forma que, quando havia brigas, disputas, discussões de qualquer gênero, era eu o árbitro dos contendores, e todos aceitavam de bom grado a sentença que eu desse”2, dirá ele em sua autobiografia.

Observador como era, aprendia os truques dos saltimbancos e prestidigitadores, de maneira a atrair seus companheiros para seus jogos e pregação, pois desde os sete anos foi um apóstolo entre eles.


São João Bosco tinha discernimento dos espíritos

Possuía um vivo discernimento dos espíritos, como ele mesmo afirmou: “Ainda muito pequeno, já estudava o caráter de meus companheiros. Olhava-os na face e ordinariamente descobria os propósitos que tinham no coração”3. Essa preciosa qualidade depois o ajudaria muito no apostolado com a juventude.

Órfão de pai, muito pobre para estudar para o sacerdócio como pretendia, e tendo sobretudo a incompreensão do meio-irmão, que o queria no campo, aos 12 anos a mãe lhe pôs sobre os ombros um bornal com alguns pertences e o enviou a procurar trabalho nas fazendas vizinhas. Assim o adolescente perambulou pela região, servindo de garçom num café, de aprendiz de alfaiate, de sapateiro, de marceneiro, de ferreiro, preceptor, tudo com um empenho exímio, que o levará depois a ensinar esses ofícios a seus “birichini”4 nas escolas profissionais que fundará.

Vivendo de confiança na ajuda da Providência


A vida de São João Bosco é um milagre constante. É humanamente inexplicável como ele conseguiu, sem dinheiro algum, construir escolas, duas igrejas — uma sendo a célebre Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora — prover de máquinas específicas suas escolas profissionais, nutrir e vestir mais de 500 rapazes numa época de carestia.

Para Pio XI, “em D. Bosco o sobrenatural havia chegado a ser natural; o extraordinário, ordinário; e a legenda áurea dos séculos passados, realidade presente”8.

Quando mais ele precisava e menos possibilidade tinha de obter dinheiro, aparecia algum doador anônimo para lhe dar a exata quantia necessitada. Mas ele empenhava-se também em promover rifas, leilões e tudo que pudesse render algum dinheiro para sua obra.

Educador ímpar, e sobretudo eficaz diretor de consciências, vários de seus meninos morreram em odor de santidade, sendo o mais conhecido deles São Domingos Sávio. Dom Bosco escreveu-lhe a biografia e a de vários outros.

Necessitando Dom Bosco de ajuda para seu apostolado incipiente, não teve dúvidas em ir pedi-la à sua mãe, já entrada na velhice e vivendo retirada junto ao outro filho e netos.

Essa mulher forte pegou alguma roupa e objetos de que poderia necessitar, e, sem olhar para trás, seguiu seu filho a pé, nos 30 quilômetros que separavam sua vila de Turim. Tornou-se ela a mãe de tantos “birichini”, aos quais alimentava, vestia e ainda dava sábios conselhos. Foi seguindo seu costume que seu filho instituiu as belas Boa Noite, ou palavras edificantes aos meninos antes de eles irem dormir.


Escrevendo a reis e imperadores

São João Bosco mantinha uma correspondência intensa, escrevendo para imperadores, reis, nobreza, dirigentes da nação, com uma liberdade que só os santos podem ter.

Assim, transmitiu ao Imperador da Áustria um recado memorável de Nosso Senhor para que ele se unisse às potências católicas, a fim de se opor ao poderio crescente da Prússia protestante.

São João Bosco manteve correspondência com a Princesa Isabel


Escreveu também à nossa Princesa Isabel, recomendando-lhe seus salesianos no Brasil. Ao rei do Piemonte, prestes a tomar medidas contra a Igreja, alertou-o da morte que reinaria no palácio, caso isso ocorresse. Como o soberano não voltou atrás, quatro membros da família real se sucederam no túmulo, em breve espaço de tempo.

São João Bosco morreu em Turim a 31 de janeiro de 1888, sendo canonizado por Pio XI em 1934. Foi nomeado padroeiro dos jovens e dos aprendizes. Seu dia é celebrado em 31 de janeiro.




Notas:


1.La Varende, Don Bosco, Le Livre de Poche Chrétien, Arthème Fayard, Paris, pp. 15 e 21.
2.San Juan Bosco, Memorias del Oratorio, Primera Fase, 1, p. 7, in “Biografía y Escritos”, B.A.C.
3.Id. Ib.
4.Plural de “birichino” — garoto, gaiato (Dizionario Portoghese-Italiano, Italiano-Portoghese, Carlo Parlagreco e Maria Cattarini, Antonio Vallardi Editore, Milano, 1960).
5.Pe. Rodolfo Fierro, SDB, Biografía y Escritos…, Introdução, p. 14.
6.Id. ib., p. 15.
7.Id. ib., p. 51.
8.Discurso de 3 de abril de 1932, apud BAC, op. cit., p. 11.

Fonte:http://grandessantos.blogspot.com/search/label/S%C3%A3o%20Jo%C3%A3o%20Bosco

>São Domingos Sávio, descrito por Dom Bosco

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“Sinto verdadeira necessidade de fazer-me santo; e se não me fizer, não faço nada. Deus quer que eu seja santo, e tal há de acontecer.” Domingos Sávio


Não deixava de rezar antes das refeições

Já aos quatro anos, não era necessário lembrá-lo de que rezasse as orações da manhã e da noite, o Angelus e as orações de antes e depois das refeições. Sempre que os pais se esqueciam, ele tomava a iniciativa de recitá-las.

Em uma ocasião, uma visita sentou-se à mesa sem praticar nenhum ato de religião. Não ousando chamar a atenção, Domingos retirou-se tristonho. Interrogado depois por seus pais, sobre o motivo daquela estranha atitude, respondeu: “Não me atrevo a sentar-me à mesa com uma pessoa que inicia a refeição como os animais”.

Aos sete anos já sabia de cor o catecismo, e ardia em desejos de fazer a Primeira Comunhão. Não foi sem dificuldade que conseguiu a autorização, pois só se costumava admitir a este Sacramento meninos com 11 anos de idade.

Ao recebê-la, a alegria inundou seu coração. Parecia que sua alma já habitava com os anjos do Céu. Após a cerimônia, escreveu alguns propósitos, como: “Meus amigos serão Jesus e Maria; antes morrer do que pecar”.

Era um pouco débil e delicado de compleição, de aspecto grave e ar doce, com um não sei quê de agradável seriedade e de humor sempre igual. Percorria diariamente uma distância de 16 quilômetros para ir à escola, onde obtinha, quase sempre, as melhores notas em todas as matérias.


O presente que lhe peço é que me ajude a ser santo

Um dia, ao ouvir uma pregação sobre a facilidade de santificar-se, seu coração inflamou-se no amor de Deus, e mais tarde declarou a Dom Bosco: “Quero dizer que sinto um desejo e uma necessidade de fazer-me santo. Nunca havia imaginado que se poderia sê-lo com tanta facilidade, e agora, que vi, quero absolutamente e tenho absoluta necessidade de ser santo”.

Dom Bosco, algum tempo depois, queria dar-lhe um presente e perguntou-lhe o que gostaria de receber. Domingos disse: “O presente que lhe peço é que me ajude a ser santo. Quero dar-me todo ao Senhor, ao Senhor para sempre. Sinto verdadeira necessidade de fazer-me santo, e se não me fizer, não faço nada. Deus quer que eu seja santo, e tal há de acontecer”.

A primeira coisa que se lhe aconselhou para chegar a esse fim, foi que trabalhasse para ganhar almas para Deus, posto que não há coisa mais santa nesta vida do que cooperar com Ele na obra da salvação.

Seguindo a recomendação, não perdia oportunidade para dar bons conselhos e advertir a quem dissesse ou fizesse coisas contrárias à santa lei de Deus. Tinha um verdadeiro horror às blasfêmias, e quando as ouvia, se não tinha condições de advertir o responsável, tirava o chapéu e dizia “Louvado seja Jesus Cristo!”, para reparar a falta.

Para se compenetrar cada vez mais da resolução que tomara, lia de preferência a vida dos santos que trabalharam especialmente pela salvação das almas, e se encantava com a vocação dos missionários, em cuja intenção, pelo menos uma vez por semana, oferecia a comunhão. Muitas vezes exclamou: “Quantas almas esperam na Inglaterra nossos auxílios! Oh! Se tivesse forças e virtude, queria ir agora mesmo, e com sermões e bom exemplo convertê-las todas para Deus”.

O pensamento de ganhar almas o acompanhava em todos os lugares. Seu semblante alegre, sua índole vivaz, o faziam querido por todos, e era a alma das recreações. Não perdia ocasião para levar um menino ao confessionário, e empregava diversos meios para consegui-lo, como passeios, jogos, etc.

Com a mesma finalidade, considerava como seus amigos especialmente os meninos que ficam esquecidos nos colégios, quer pelo seu temperamento ou pela sua ignorância. Alegrava-os com interessantes conversas e dava-lhes bons conselhos. Por esta razão, os doentes o queriam como enfermeiro, e os que estavam tristes e desiludidos contavam-lhe suas dificuldades.


Dominou os olhos vivazes, mantendo-os sempre recolhidos

Deus o havia enriquecido, entre outros dons, com o fervor na oração. Seu espírito estava tão habituado a conversar com Deus em todos os lugares, que, mesmo no meio das mais ruidosas algazarras, recolhia seu pensamento, e com piedosos afetos elevava o coração a Deus. Quando rezava em conjunto, parecia verdadeiramente um anjo: imóvel e bem composto, de joelhos, sem apoiar-se, a cabeça levemente inclinada para frente e os olhos baixos, com suave sorriso no rosto. Bastava vê-lo para se ficar edificado.

A compostura exterior dele tinha tanta naturalidade que se poderia pensar que a havia recebido assim das mãos de Deus. Mas quem o conheceu de perto pode afirmar que tudo era resultado de um grande esforço humano, coadjuvado pela graça divina.

Seus olhos eram vivacíssimos, e tinha que fazer-se não pequena violência para tê-los recolhidos. Ele mesmo contou a um amigo que, quando decidiu dominar o olhar, teve muito trabalho, e até padeceu de grandes dores de cabeça.

Além da modéstia do olhar, era muito comedido em suas palavras. Nunca seus lábios proferiram palavras de queixa pelos calores do verão nem pelos rigores do inverno. Sempre se mostrava satisfeito com tudo o que lhe serviam. Quando a comida estava muito cozida ou muito crua, quando tinha muito ou pouco sal, dizia que era assim que gostava, aproveitando a ocasião para mortificar-se.


Intensa devoção a Nossa Senhora

Sua devoção a Nossa Senhora era enorme, e fazia cada dia mortificações em sua honra. Pode-se dizer que toda sua vida foi um exercício de devoção à Santíssima Virgem.

Quando passava próximo de espetáculos públicos, não os olhava, o que levou um companheiro pouco piedoso a dizer-lhe: “Para que tens olhos, se não te serves deles para olhar estas coisas?”. A resposta veio pronta: “Quero que me sirvam para contemplar o rosto de nossa celestial mãe Maria, quando, com a graça de Deus, seja digno de ir vê-la no paraíso”.

No mês dedicado à Mãe de Deus, preparava uma série de exemplos edificantes, e pouco a pouco os ia narrando com muita disposição, para animar outros a serem devotos dEla.

Em 1856, Domingos demonstrou tanto fervor no mês de maio, que parecia, mais do que nunca, um anjo vestido de carne humana. Se escrevia, era de Maria; se estudava, cantava ou ia à aula, tudo fazia em honra de Maria.


Desejo ardente de falecer na Escola Salesiana

Sua atitude impressionava tanto, que um colega lhe perguntou: “Se fazes tudo este ano, o que farás no ano que vem?”. E recebeu uma resposta através da qual se nota que pressentia chegar seu fim: “Isto corre por minha conta. Se ainda viver, contar-te-ei o que hei de fazer”.

Como sua saúde ia debilitando-se, Dom Bosco o fez examinar por vários médicos. Inquirindo sobre o remédio mais útil para aplicar, um médico, que se encantara com o pequeno Domingos, disse que “melhor seria deixá-lo ir ao paraíso, para o que parece muito preparado”.

Atacado por tosse obstinada, a conselho médico foi obrigado a ir para a casa dos pais, o que aceitou como penitência, mas demonstrando pouca disposição, pois queria acabar seus dias na Escola Salesiana, e sabia que se fosse para casa não voltaria mais, como ele mesmo afirmou.

Ao sair, chamou Dom Bosco, dizendo-lhe: “Posto que o senhor não quer esta minha carcassa, me vejo obrigado a levá-la a Mondonio (residência dos pais). Ver-nos-emos no paraíso”.

Perguntou-lhe se era certo que seus pecados estavam perdoados, o que deveria responder ao demônio se viesse tentá-lo etc. Ao final, pediu as indulgências plenárias que o Papa concedera a Dom Bosco “in articulo mortis”.

Ao sentir que se aproximava a morte, pediu que o pai lesse a Ladainha das Rogações, e algum tempo depois, com voz clara e alegre, disse: “Adeus, papai, adeus. Oh! que coisas tão belas vejo!”

E sorrindo com celestial semblante, expirou com as mãos cruzadas sobre o peito e sem fazer o menor movimento.

Tão logo se tomou conhecimento de sua morte, seus companheiros começaram a aclamá-lo como santo; nas ladainhas dos defuntos, em vez de responderem `rogai por ele’, diziam `rogai por nós’. Quase a cada dia se recebiam notícias de graças recebidas pelos fiéis por sua intercessão.

Domingos Sávio nasceu a 2 de abril de 1842, em Riva, a duas milhas de Chieri, na Itália. Faleceu a 9 de março de 1857. Foi declarado Venerável por Pio XI, em 1933. Foi beatificado por Pio XII em 1950, que o canonizou a 13 de junho de 1954, centenário de sua entrada no Colégio de Dom Bosco, em Turim.

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Referência:

“Biografia y escritos de San Juan Bosco”, BAC, Madrid, 1955, pp. 769 a 857.

Fonte:http://grandessantos.blogspot.com/search/label/S%C3%A3o%20Domingo%20S%C3%A1vio

>Literatura de Cordel: O Herói Domingos Sávio

>


Resumirei pro leitor
Uma história singular
Cheia de ensinamentos,
Como tentarei mostrar…
Acredito de verdade
Com toda sinceridade
Que o leitor vai gostar!

A história é de um garoto

Aluno de São João Bosco;
Seu nome: Domingos Sávio
Que faleceu muito moço!
Um herói que fez caminho
Pisando rosas e espinhos
Num espantoso esforço!

Falemos da biografia

Daquele menino santo,
Que não duvido em dizer:
Sua vida foi um encanto!
Exemplo de amizade,
Gigante da santidade…
Como é que chega a tanto?
Nasceu em quarenta e dois
No dia dois de abril,
Era o século dezenove,
Qual flor primaveril
Que desabrocha e viceja
No jardim da Mãe Igreja
Difundindo graças mil.

Cresce o pequeno Sávio
Ou Domingos, se quiser,
Amado pelo papai
E a mamãe, santa mulher.
Esses com dedicação
Ensinaram-lhe com unção
Os rudimentos da fé.
Mas, é preciso dizer
Isso foi no Piemonte
Naquela Itália do Norte
Encastuada de montes,
Mistura de singeleza,
Indústria, fome e pobreza
Ali tinham suas fontes.

Por motivo de trabalho
A família foi morar
Perto de Castelnuovo
E Domingos a vibrar,
Procura seu capelão
Pra Primeira Comunhão
Em breve se preparar.

Páscoa de quarenta e novembro
Um dia de emoção
Domingos recebe o Cristo…
É Primeira Comunhão!
A grande felicidade
É sentida de verdade
No fundo do coração.

Entre lágrimas e risos
O pequeno ajoelhado
Promete a Virgem Mãe
E a Jesus Sacramentado
De cumprir com devoção
Os deveres de cristão
Na santa simplicidade.

Escreveu alguns propósitos
E gravou no coração
Como aquele de fazer
Mensalmente a confissão;
Ser amigo noite e dia
De Jesus e de Maria
Tendo a todos como irmãos!

Escreveu também na lista
Um propósito singular
Que marcou a sua vida,
Qual farol a iluminar,
O lema de quem é forte,
Escreveu: “MIL VEZES A MORTE,
MAS, NUNCA, NUNCA PECAR!”

Completando doze anos
Com Dom Bosco se encontrou
E um diálogo famoso
Entre os dois se operou…
Como a água cristalina
Que desce lá da colina
Buscando o mar o encontrou!

Dom Bosco vê no menino
Qualidades sem igual
E este revela ter
Vocação sacerdotal
E diz, franzindo a testa
“FAÇA DE MIM UMA VESTE
PRO PAPAI CELESTIAL!…”

Aceito no Oratório
Começou se preparar
Para sua vocação
Um dia realizar.
Jogou-se de coração
No estudo e na oração
Até se santificar.

Certo dia ouviu dizer
No contexto de um sermão
Que é a vontade de Deus,
Nossa santificação…
O pregador com talento
Impregnou-lhe na mente
Uma forte impressão!

Dom Bosco lhe ensina a fórmula
De chegar à santidade,
Preceituando: Alegria,
Trabalho, estudo e piedade,
Empenho na oração,
À violência um “Não”
E “Sim” à fraternidade.

Faça sempre o bem a todos
Não pra ser elogiado,
Mas, por amor a Jesus
Que morreu crucificado…
Recomenda-lhe Dom Bosco
E Domingos faz com gosto
Tudo aquilo e um bocado!

Numa certa ocasião
Um menino do Oratório
Exibia uma revista
De assunto “provocatório”
Cheia de imoralidade
Que pra falar a verdade
Congelava o purgatório!

Domingos não se conteve,
Aproximou-se da turminha
Que comentava as figuras
E soltava risadinhas,
Tomando-lhe a revista
Dizendo: “ninguém insista”
Rasgou-a em picadinhas.

O protesto foi geral
Mas Domingos não se calou:
“Por que trazem ao Oratório
Esse tipo de terror?
Isso é uma ofensa a Deus;
Por favor, amigos meus,
Não tragam mais, por favor!”

Certo dia uma notícia
No Oratório correu:
“Desapareceu Domingos…
Onde está? Que aconteceu?…
Procura aqui e acolá,
Em tudo quanto é lugar
A meninada mexeu.

O tinha visto na Missa,
Não o viram no café,
Às aulas não frequentou,
Onde está? Como é que é?
Aquilo foi um alvoroço
E depois de muito esforço
Disseram: tenhamos fé…

Foram contar a Dom Bosco
Transidos de emoção,
Dom Bosco tomou um susto
E disse com precisão:
“Santo Dio, O Mamma mia!”
E partiu pra sacristia
Com o coração na mão!

Avistando o Dominguinhos
De pé, em oração,
Com a mão direita estendida,
E a outra no coração…
Dom Bosco se aproximou
E o vidente acordou
Da santa contemplação.

Certamente contemplava
A Jesus – Eucaristia
Que havia recebido
Na manhã daquele dia.
Não sentiu passar o tempo
Seis horas foram um momento
Na mais doce companhia

Crescia assim o Domingos
Adquirindo a candura
Daqueles que se decidem
Por u’a vida santa e pura…
Como o infante Nazareno,
Domingos ia crescendo
Na santidade e estatura.

No inverno rigoroso
Do ano cinquenta e sete.
Domingos caiu doente,
Tosse, febre e diabete,
Fisicamente definhando,
Para o fim vai caminhando
E à morte se submete!

No Oratório não havia
Condições a melhorar…
Dom Bosco diz: “Meu Sávio,
Vá pra casa se tratar!”
Mas, ele que já previa,
Diz: “…aqui é que eu queria
Minha vida terminar!”

“Não fale assim! Você vai
Pra se restabelecer”
Diz Dom Bosco ao menino
Procurando convencer…
“E ao chegar a primavera
O Oratório lhe espera
Como todos vamos ver!”

Domingos diz a Dom Bosco
Começando a soluçar:
“Eu vou e não volto mais”
E concluiu a chorar:
“Com certeza e sem talvez,
Esta é a última vez
Que podemos conversar”.

Era o dia dois de março,
Despedida comovente!
Lá se vai o Dominguinhos
Enfrentando o frio e o vento,
Na carruagem do pai,
A Mondônio lá se vai
De uma vez para sempre!

Pois oito dias depois
O menino expirava
Nos braços do seu papai
E da mamãe que chorava…
E morria assim dizendo:
‘QUE COISA BELA ESTOU VENDO!…”
E com o olhar acenava.

Acenava pro infinito
Para o céu que contemplava,
Onde está Nossa Senhora
E Jesus que tanto amava.
Mergulha assim no Mistério,
Do sublime e puro etéreo
Que tanto em vida aspirava.

Domingos voltou aos seus
Ora em sonho, ora em visão
Apareceu a seu pai
E travou conversação
E no meio de um sorriso,
Disse: “ESTOU NO PARAISO”
Na celestial mansão!

Transcorridos alguns dias
Daquela morte exemplar,
Dom Bosco o vê em sonho.
Estava em certo lugar,
Parecia uma planície,
Nem era Lanzo, nem Nice,
Não era terra nem mar!

Na beleza inenarrável
Daquele imenso jardim,
Uma música suave
De flauta, tuba e clarim
Se difunde pelos ares
E um coro de milhares
De vozes, cantava assim:

“HONRA E GLÓRIA A DEUS PAI
CRIADOR E ONIPOTENTE…”
E uma multidão de jovens
Aparece de repente…
Dom Bosco, diz: “Que vejo!”
Naquele imenso cortejo
Domingos ia à frente!

O cortejo, então, parou
E a música também;
E uma luz tão brilhante
Que comparação não tem,
Resplandece no ambiente
E Domingos refulgente
Com Dom Bosco se entretém.

Quase sem acreditar;
Dom Bosco fica parado;
Mas, Domingos diz sorrindo:
“Por que está tão calado?
Por que não fala? Sou eu!
E Dom Bosco respondeu,
Desta vez encorajado!

Afinal, onde é que estamos?
No local: FELICIDADE!
Então, isto é o Paraíso?
E Domingos com bondade,
Não responde claramente…
Mas, de seu rosto fulgente
Jorra um raio de verdade!

Domingos manda um presente
Para os meninos de Dom Bosco:
Um ramalhete de flores
De variadíssimo gosto.
Dom Bosco em confusão
Pede-lhe explicação
Fitando-lhe bem o rosto!

A rosa, o senhor bem sabe,
Simboliza a CARIDADE!
Quanto à violeta frágil
Nos lembra a HUMILDADE!
O lírio com sua brancura
Recorda-nos a candura
Da belíssima CASTIDADE!

Este trigo aí no meio
Simboliza COMUNHÃO!
Sacramento que exige
A frequente confissão!
E por fim uma lembrança,
Símbolo da PERSEVERANÇA,
U’a sempreviva na mão!

Dom Bosco ao acordar
Daquele sonho feliz,
Exclama: “Se eu fosse o Papa…”
E pensa bem no que diz:
Sem duvidar nem um pingo
Canonizava o Domingos
Ao lado de São Luiz!

Passaram-se alguns anos
Pra beatificação
Daquele menino santo
E o mundo com emoção
Esperava noite e dia
Na certeza que veria
Sua CANONIZAÇÃO!

Um brilhante sol raiou
Sob um céu cor-de-anil,
Naquela manhã de junho
De clima primaveril
E na praça majestosa
Aguarda tumultuosa
Uma massa juvenil!

Quando o Papa Pio XII
Declarou canonizado
O SANTO DOMINGOS SÁVIO,
Seu nome foi aclamado…
O mundo inteiro aplaudiu…
Quem estava lá sentiu
O Vaticano abalado!

Domingos Sávio, bendito!
És encanto dos encantos!
Para a glória dos altares,
Foste escolhido entre tantos…
Receba a nossa homenagem,
Estou também de passagem:
VALDEMAR PEREIRA DOS SANTOS!



Autoria: Pe Valdemar Pereira dos Santos, sdb

>Espiritualidade Salesiana

>

O segredo do êxito de Dom Bosco educador está em sua intensa espiritualidade, ou seja, naquela energia interior que, nele, une inseparavelmente o amor de Deus e o amor do próximo, de modo a conseguir estabelecer uma síntese entre evangelização e educação.
A Espiritualidade Salesiana, expressão concreta desta caridade pastoral, constitui portanto um elemento fundamental da ação pastoral salesiana, é sua fonte de vitalidade evangélica, seu princípio de inspiração e de identidade, seu critério de orientação.


Trata-se de:



* Uma espiritualidade à medida dos jovens, especialmente dos mais pobres, que sabe descobrir a ação do Espírito em seu coração e colaborar no seu desenvolvimento.
* Uma espiritualidade do cotidiano, que propõe a vida ordinária como lugar do encontro com Deus.
* Uma espiritualidade pascal de alegria na operosidade, que desenvolve uma atitude positiva de esperança nos recursos naturais e sobrenaturais das pessoas, e apresenta a vida cristã como um caminho de bem-aventurança.
* Uma espiritualidade de amizade e relação pessoal com o Senhor Jesus, conhecido e freqüentado na oração, na Eucaristia e na Palavra.
* Uma espiritualidade de comunhão eclesial, vivida nos grupos e sobretudo na comunidade educativa, que une jovens e educadores num ambiente de família ao redor de um projeto de educação integral dos jovens.
* Uma espiritualidade de serviço responsável, que suscita em jovens e adultos um renovado empenho apostólico pela transformação cristã do próprio ambiente chegando ao empenho vocacional.
* Uma espiritualidade mariana, que se entrega com simplicidade e confiança à ajuda materna de Nossa Senhora.

Esta espiritualidade ajuda a discernir e enfrentar os desafios da ação pastoral, cria unidade entre todos os que compartilham e colaboram na missão.





Fonte: Site da Congregação SDB

>Dom Bosco: Profeta dos Jovens

>


Houve um homem chamadado por Deus
Que foi grande no meio dos seus.
Seu caminho foi profetizado
E na vida amado por onde andou.

O seu nome é bandeira de fé,
Pai e Mestre dos jovens já é.
Depois dele seus filhos serão
Neste rico chão sementes de amor.

Vem, Dom Bosco sonhador,
Vem conosco caminhar.
Vem trazer-nos seu sorriso,
Seu olhar amigo, seu imenso amor.

Vem, Dom Bosco sonhador,
Vem conosco caminhar.
Sua audácia seja agora
Nossa vez e hora de participar.

Hoje a luta do povo latino
É a busca de um novo destino:
Uma civilização do amor,
Onde o valor seja a comunhão.

Com Dom Bosco isto aconteceu
No milagre que se ofereceu.
Hoje vidas serão transformadas
Se forem amadas do jeito de Deus.

>Dom Bosco e a Bíblia

>

Num capitulo da Constituição dogmática sobre a Revelação Divina, promulgada pelo Concílio Vaticano II, que trata da “Sagrada Escritura na vida da Igreja”, todos os cristãos são vivamente convidados à leitura freqüente do Livro Sagrado. Nos tempos de Dom Bosco, no Piemonte, na catequese paroquial e escolar, a leitura pessoal da Bíblia não era ainda suficientemente praticada. Mais que recorrer diretamente à Bíblia costumava-se fazer uma catequese com exemplos tirados dos Compêndios de História Sagrada.

É assim que se fazia também em Valdocco. Isto não quer dizer que Dom Bosco não lesse e não meditasse pessoalmente a Bíblia. Seu primeiro biógrafo assegura que, em 10 de fevereiro de 1886, já velho e doente, Dom Bosco, na presença de seus discípulos, costumava recitar, por inteiro, alguns capítulos das Cartas de São Paulo em grego e em latim (cf. MB 1, 394-395).

Das citadas Memorie Biografiche temos conhecimento que o clérigo João Bosco, durante o verão, em Sussambrino, onde morava com o irmão Giuseppe, costumava subir até a vinha de propriedade de Turco, e ali se dedicava ao estudo que não tivera oportunidade de fazer durante o ano escolar, especialmente ao estudo do Velho e do Novo Testamento, de Calmet, da geografia dos Lugares Santos, e dos princípios da língua hebraica, conquistando um conhecimento suficiente. Ainda em 1884, lembrava-se do estudo de hebraico e foi visto em Roma, com um professor de língua hebraica para explicar certas frases originais dos profetas, fazendo confronto com os textos paralelos de diversos livros da Bíblia. Entretinha-se também numa tradução do Novo Testamento do grego (cf. MB 1, 423).

Dom Bosco, portanto, como autodidata, foi um estudioso atento dos escritos da Bíblia, e deles teve um conhecimento bastante notável. Demonstrou, em tantos outros modos, este seu profundo interesse e estudo da Sagrada Escritura, e interessou-se muito em torná-lo conhecido aos seus filhos de Valdocco. Basta pensar na sua edição História Sagrada, impressa, pela primeira vez, em 1847, e depois reimpressa em 14 edições e dezenas e mais dezenas de re-impressões, até 1964.

Tantos outros escritos seus relativos à história bíblica, como Maniera facile per imparare la Storia Sacra, publicada pela primeira vez em 1850; a Vita di San Pietro, publicada em janeiro de 1857, como um volume das Leituras Católicas; a Vita di San Paolo, publicada em janeiro do mesmo ano, como mais um volume das Leituras Católicas; a Vita di San Giuseppe¸ publicada no fascículo das Leituras Católicas de março de 1867 etc. Dom Bosco mantinha como marcas do seu breviário, frases da Sagrada Escritura, como a seguinte: “ O Senhor bom consola nas tribulações” (Na 1, 7) (cf MB 2, 524).

Mandou pintar nas paredes do pórtico de Valdocco frases da Sagrada Escritura como esta: Mt 7,8: “Todo aquele que pedir receberá, aquele que procura acha; e a quem bate será aberto” cf MB 5, 543. Desde 1853, quis que seus estudantes de filosofia e de teologia estudassem, toda semana, dez versículos do Novo Testamento, e o recitassem literalmente, mas manhãs de quinta-feira.

Na inauguração do curso, todos os clérigos tinham nas mãos o volume da Bíblia Vulgata latina, aberto nas primeiras linhas do Evangelho de São Mateus. Mas Dom Bosco, rezada a oração, começou falar, em latim o versículo 18 do capitulo 16 de Mateus: “E eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (cf MB 6, 205). Desejava mesmo que seus filhos guardassem sempre na mente e no coração esta verdade evangélica.

Natale Cerrato

Tradução do Pe. Arthur Roscoe Daniel, Inspetoria São João Bosco, MG.

Divulgação: Sistema Salesiano de Animação da Família Salesiana (SSAF), Inspetoria São João Bosco, MG