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A palavra grega hypostasis que se traduz por permanecer sob, usa-se para designar a realidade substancial ou a natureza de alguma coisa, e a instância de uma natureza.

Na encarnação, através do “sim” de Maria, o “Verbo se fez carne”. Deus se fez homem, e habitou entre nós. Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, não podendo assim, separar as duas naturezas de Cristo.

“Pois esta é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, filho do homem: é para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a filiação divina, se torne filho de Deus”. “Quando Ele se encarnou e se fez homem, recapitulou em si mesmo a longa história dos homens e, em resumo, nos proporcionou a salvação, de sorte que aquilo que havíamos perdido em Adão, isto é, sermos à imagem e à semelhança de Deus, o recuperemos em Cristo Jesus… É aliás, por isso que Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo com isto a todos os homens a comunhão com Deus” (Santo Ireneu)

No Concílio de Calcedônia, (451), apareceu a significar a união substancial das naturezas divina à humana numa só Pessoa (Hypostasis) de Jesus Cristo.

O Catecismo da Igreja Católica diz:

§ 251. – Para a formação do dogma da Trindade, a Igreja teve de empregar uma terminologia própria, com a ajuda de noções de origem filosófica: “Substância”, “pessoa” ou “Hipóstase”, “relação” etc. Ao fazer isto não sujeitou a fé a uma sabedoria humana, mas deu um sentido novo, inédito, a estes termos, chamados a exprimir também, desde então, um mistério inefável, “transcendendo infinitamente tudo quanto podemos conceber a nível humano” (Paulo VI, Credo do Povo de Deus, 2).

§252. – A Igreja utiliza o termo “substância” (às vezes também traduzido por “essência” ou “natureza”) para designar o ser divino na sua unidade; o termo “pessoa” ou “hipóstase” para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na distinção real entre Si; e o termo “relação” para designar o fato de que a sua distinção reside na referência de uns aos outros.

§468. – Depois do Concílio de Calcedônia, alguns fizeram da natureza humana de Cristo uma espécie de sujeito pessoal. Contra eles, o quinto Concílio Ecumênico, reunido em Constantinopla em 553, confessou a propósito de Cristo: “não há n’Ele senão uma só hipóstase (ou pessoa), que é nosso Senhor Jesus Cristo, um da Trindade” (DS 424). Tudo na humanidade de Cristo deve, portanto, ser atribuído à sua pessoa divina como seu sujeito próprio ; não só os milagres, mas também os sofrimentos e a própria morte: “Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e um da Santíssima Trindade.”

§469. – Assim, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem. É verdadeiramente o Filho de Deus feito homem, nosso irmão, e isso sem deixar de ser Deus, nosso Senhor. (Continuou a ser o que era, e assumiu aquilo que não era).

Portanto, a União Hipostática, é a união substancial das duas naturezas, divina e humana, na única Pessoa de Jesus Cristo. Esta doutrina foi desenvolvida por S. Cirilo de Alexandria († 444), e proclamada pelo Concílio de Calcedônia (451). De harmonia com esta doutrina, outros conceitos podem surgir nos nosso espírito: Cristo é Deus e homem, Cristo tem uma alma humana, Cristo tem uma vontade humana, Cristo aprendeu…