>Getsêmani – Leonardo Gonçalves

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No Getsêmani foi que meu Jesus orou,
Se entregando ao Pai mais uma vez.
Logo vieram pessoas para o levar
Para a maior das provações
Ele tanto amou tudo suportou.
Ele carregou a nossa cruz.

Ver os cravos nas mãos, seu corpo a sofrer
Naqueles momentos de dor.
Ver o mestre a chorar e foi por você
Que ele mostrou tanto amor.

Os soldados cuspiam no seu rosto nu…
Posso ouvir o clamor da multidão.
E Jesus a olhar aquele céu azul
Pede ao Pai que lhes dê o seu perdão.
Ele tanto amou, tudo suportou.
Ele carregou a nossa cruz.

Ver os cravos nas mãos, seu corpo a sofrer
Naqueles momentos de dor.
Ver o mestre a chorar e foi por você
Que ele mostrou tanto amor.
Ele tanto, tanto me amou.
Ele tudo por mim suportou,
Carregou minha cruz.

Ver os cravos nas mãos, seu corpo a sofrer
Naqueles momentos de dor.
Ver o mestre a chorar e foi por você
Que ele mostrou tanto amor.


Música: Getsêmani
Artista: Leonardo Gonçalves
Imagens: “A Paixão de Cristo”

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>Têmpera dos Mártires

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Abraçaram a dor, abraçaram a cruz, 
Se entregaram incondicionalmente a Jesus. (bis) 

Oh! Meu Deus dá-me a têmpera dos mártires, 
Daqueles que morreram por Jesus. (bis) 

Combateram o bom combate, encerraram suas carreiras, 
Guardaram a fé no Senhor Jesus. (bis) 

Receberam a recompensa, a coroa da justiça,
Do Justo Juiz, Senhor Jesus. (bis)



>Seguir Jesus: o cerne de toda espiritualidade cristã

>Seguir Jesus não é copiar – como escravo – a sua vida.
É fazer sua opção de vida dele, na originalidade de suas próprias possibilidades.
E na situação em que você vive concretamente.
É viver para os valores pelos quais Jesus viveu e morreu.
É, igualmente, seguir o caminho que Ele percorreu e fazer sua a mentalidade dele.
Quando esta vida e este caminho são indicados por Deus
E neles, Ele se revela mais fortemente
Aí está, então, a realidade do amor.
Da sua vida ficará o que se tornou amor.
O que é amor verdadeiro pode ser aprendido com Jesus.
Ele é, de fato, aquele que mais amou
Ele lhe ensina a esquecer você mesmo e transportar-se para o outro,
Pois ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida aos amigos.
Ele também lhe ensina a abrir-se aos outros sem limites:
A ser convite e disponibilidade.
“Vinde todos a mim que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei”.
Converta-se, então, cada dia em amor.
Transforme todas as suas energias em dom.
Mude interiormente e o Reino de Deus se manifestará através de você.
Você foi chamado a seguir Jesus sem reservas.
Com Ele você quer caminhar a Jerusalém, cidade de sofrimento e de glória.
Com Ele, quer dar tudo para que venha o Reino.
Neste caminho, você foi chamado para ser o menor, não para dominar;
Para carregar os fardos dos outros e não para os impor a eles;
Para dar liberdade em vez de tomá-la;
Para tornar-se pobre, fazendo os outros ricos;
Para tomar a cruz, dando alegria aos outros;
Para morrer a fim de que os outros vivam.
Isto é o segredo do Evangelho como boa notícia de vida,
Sobre o qual é melhor calar-se, pois o Evangelho torna-se somente verdadeiro e autêntico
Quando você o pratica.
Tenha sempre a Jesus Cristo diante dos olhos.
Não hesite em segui-lo.
Não pare, não olhe para trás, mas veja o que está na sua frente.


Referência: “Espiritualidade do discipulado”. Frater Henrique Cristiano José Matos, CMM – Editora O Lutador, pág 27.



>Terra do Coração (Que tudo vençamos pelo amor) – Abner Santos

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Terra do Coração (Que tudo vençamos pelo amor)
                                                                                                                                             Abner Santos
Teu amor cegou o olhar perdido da maldade
Paralisou os passos largos da mentira (2x)

Quando a minha miséria se encontrou com a terra santa do Teu coração
Assim como a morte e a cruz, vida brotou (2x)

No Teu abraço, o peito cansado
pelos erros rasgado, voltou a bater…

>Internet, tecnologia à serviço da evangelização

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“O desenvolvimento na internet nos últimos anos oferece uma oportunidade sem precedentes para ampliar as obras missionárias da Igreja, já que se tornou a principal fonte de informação e de comunicação” (João Paulo II).

A Igreja aproveita da mesma tecnologia que permite às pessoas estabelecer amizade, iniciar um relacionamento e em alguns casos até se casarem, para promover também o trabalho pastoral em ambiente virtual. O saudoso Papa João Paulo II já havia percebido a eficácia da internet como um instrumento para a facilitação dos trabalhos missionários no século XXI.


Por intermédio de e-mails, messengers, blogs, orkuts, entre outros, essa tecnologia ganha uma notoriedade sobre os demais meios de comunicação. Pois, a internet tem como característica principal o poder de abranger milhares de pessoas, que por sua vez interagem entre si quase que simultaneamente.


É muito comum para os usuários dessa ferramenta de comunicação as transferências de links e arquivos – com a ajuda da rede mundial de computadores – de conteúdos classificados por eles como relevantes. Assim, a importância e a eficácia de uma mensagem para uma determinada pessoa é potencializada milhares de vezes, atingindo alguém que jamais seria conhecido por aquele que disponibilizou tal conteúdo pela primeira vez na rede.


Muitas comunidades e dioceses já utilizam essa ferramenta de interação para o contato direto com os internautas. Por meio de conteúdos com linguagem própria, são disponibilizados aos usuários: diversão, doutrina, conteúdo de esclarecimento e outros artigos que podem conduzir a uma reflexão.


Mesmo com o avanço de toda essa tecnologia acessível a muitas pessoas, a evangelização não pode acontecer por si própria. A internet favorece o ambiente para que missionários desbravem as fronteiras digitais e promovam uma abertura para o acesso direto com aqueles que se encontram “plugados” na rede, buscando informações e conteúdos que atendam a uma necessidade específica.


Para o trabalho de evangelização nos meios tecnológicos acontecer, cada usuário deverá se tornar um evangelizador em potencial, seja este ministério manifestado com a ajuda de um comportamento digno de cristão no meio virtual, seja com a ajuda do anúncio direto do Evangelho.


Deus abençoe a cada um que se dispõe em ser um formador de opinião.
Autor: Dado Moura 

>Dom Rua, "O Sucessor"

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>Vida Religiosa: Ser Consagrado a Deus para o serviço do Reino

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1. Identidade da Vida Religiosa Consagrada
A vida religiosa  é, antes de tudo, uma iniciativa de Deus na vida do batizado. Na gratuidade o Senhor chama o ser humano a uma íntima comunhão com Ele, convidando-o a conformar sua vida à do Cristo sob a atração do Espírito. E esta consagração específica está a serviço do Reino, projeto fundamental da missão de Jesus.
A livre aceitação desta imerecida predileção de amor do Pai, leva a pessoa a um aprofundamento de sua consagração batismal. Assume, em liberdade, uma vida cristiforme mediante a vivência dos conselhos evangélicos. É dentro da comunidade da Igreja que essa consagração adquire seu pleno significado.
O carisma da vida religiosa consagrada é essencialmente eclesial, sendo no interior da Igreja sinal e memória, testemunho e profecia dos valores centrais do Evangelho e do Reino.
A vida consagrada, de fato, “é uma diaconia para o Reino, de caráter público, provocativo, comunitário, criativo, audacioso, arraigado na experiência contemplativa de Deus que plasmou a vida e o seu destino”¹.

2. Em busca de uma vida cristiforme
O consagrado aspira a uma vida em crescente conformação com Cristo. Procura assimilar cada vez mais o estilo de vida de Jesus no seu modo de ser e agir. Semelhante programa de vida é normativo para todos os batizados e não algo privativo de eleitos! O religioso consagrado – por pura graça divina – é convidado a aprofundar e radicalizar o comum seguimento do Senhor na realidade histórica de hoje.
A vida consagrada tem, na Igreja, “a missão de fazer com que resplandeça a forma de vida de Cristo, por meio do testemunho dos conselhos evangélicos, para sustento da fidelidade de todo o Corpo de Cristo”².
3. A comunhão pessoal com o Senhor
Se a vida religiosa brota de um projeto de amor do Pai, no seguimento de Jesus, pela força do Espírito Santo, ela exige, por coerência interna, uma comunhão contínua com o Senhor. Deve expressar a primazia de Deus, fonte de seu sentido e realização, pois o homem – no dizer de Santo Agostinho (+ 430) – está feito para Deus e vive inquieto até encontrar Nele a paz. Coloca-se para o religioso a exigência incontornável de alimentar-se de uma espiritualidade sólida e profunda.

“Podemos dizer que a vida espiritual, considerada como vida em Cristo, vida segundo o Espírito, se apresenta como um itinerário de crescente fidelidade, onde a pessoa consagrada é guiada pelo Espírito e por Ele configurada com Cristo, em plena comunhão de amor e de serviço na Igreja.” (João Paulo II. A Vida Consagrada: exortação apostólica pós-sinodal sobre a Vida Consagrada e a sua missão na Igreja e no mundo (23-3-1996).

Trata-se de uma experiência de partilha de vida com o Senhor, de uma graça especial de intimidade com Ele. O próprio significado da vida religiosa e seu dinamismo interno dependem desse impulso espiritual, sem o qual ela se esvazia e descaracteriza. Abrange, substancialmente, uma fidelidade progressiva para responder à superabundância do amor divino na pessoa do religioso. Quem, de fato, entrega livremente sua própria vida a Cristo vive no desejo de se encontrar com Ele, para estar finalmente e para sempre com o Senhor!

4.  Escuta da Palavra e oração incessante

A Palavra de Deus é a primeira fonte da vida cristã. Sustenta na Igreja o relacionamento pessoal e comunitário com o Senhor. A renovada escuta da Palavra de Deus interpela, orienta e plasma a existência dos consagrados. É através dela que o Senhor se revela, e educa coração e inteligência do discípulo. Faz amadurecer igualmente a visão de fé, pois aprende-se a olhar a realidade e os acontecimentos com o mesmo olhar de Deus até chegar a ter o “pensamento de Cristo” (1Cor 2, 16). Um meio privilegiado que diariamente, nos coloca em contato íntimo com a Palavra de Deus é a celebração da eucaristia e seu prolongamento na Liturgia das Horas.
A eucaristia, como memorial pascal do Senhor, é o coração da vida da Igreja. Nela se encontram todas as formas de oração: “proclama-se e é acolhida a Palavra de Deus, somos interpelados a respeito de nossa relação com Deus, com os irmãos e com todos os homens: é o sacramento da filiação, da fraternidade e da missão. Sacramento da unidade com Cristo, a Eucaristia é contemporaneamente sacramento da unidade eclesial e da unidade da comunidade dos consagrados.
A Liturgia das Horas, por sua vez, insere nosso dia-a-dia no tempo de Deus e assim o “santifica” no sentido genuíno do termo. Para o religioso, a celebração da liturgia das horas deveria ser motivo de gratidão e alegria. Expressa seu mais profundo anseio: estar em comunhão permanente com o Senhor.

“Frequentemente, no entanto, a realidade é outra. Não poucas comunidades religiosas de vida apostólica perderam (ou nunca tiveram!) o gosto pelo Ofício Divino e caíram na apatia, no formalismo ou na rotina. É verdade que não devam ser minimalizadas as dificuldades em relação a esta oração da Igreja. Nota-se, muitas vezes, uma falta de formação, particularmente na jovem geração de consagrados, no que diz respeito à Liturgia das Horas”. 

Não é segredo para ninguém que uma celebração significativa da oração pública da Igreja exige uma introdução catequética adequada. Garantida esta, a Liturgia das Horas pode tornar-se para os consagrados um verdadeiro “kairós”, um tempo de graça, pelas riquezas espirituais e potencialidades orantes que representa.
Apresenta-se, igualmente, como uma expressão eloquente da vida comunitária na caridade fraterna pela qual os religiosos são chamados a serem sinais e testemunhas da Igreja.
5. Oração e fecundidade apostólica
A vida religiosa proclama pelo seu próprio ser o primado de Deus. De fato, sem Cristo nada podemos fazer (cf Jo 15, 5) e, de outro lado, tudo podemos Naquele que nos fá força (cf. Ef 4, 13). Quanto mais o consagrado se deixa conformar com Cristo, tanto mais fecunda será sua ação apostólica. Com uma vida paulatinamente transformada pelos valores do Evangelho, o profetismo – inerente a toda autêntica vida religiosa – ganhará qualidade e profundidade. Tornar-se-á um protesto silencioso mas eficaz contra uma sociedade desumana com sua ditadura do ter, seu mito de poder e seus mecanismos de exclusão.
Na íntima e perseverante comunhão de vida com o Senhor crescerá a caridade, razão de ser da nossa existência. Começaremos a viver-para-os-outros, privilegiando os últimos da sociedade (cf Mt 25, 40). Assim, o Deus encontrado na oração e na contemplação é igualmente descoberto naqueles com quem o Jesus histórico se identificou: pobres, oprimidos, marginalizados, idosos, doentes e prisioneiros.
Ñão resta dúvida: o nosso engajamento em prol do Reino depende da qualidade de nossa vida-em-Deus: “Eu sou a vinha, vós sois os sarmentos: aquele que permanece em mim e no qual eu permaneço, esse produzirá frutos em abundância, pois, separados de mim, nada pois fazer” (cf. Jo 15). É o próprio Jesus que nos dá o exemplo de como unir a comunhão com Deus e uma vida de intensa atividade. Sem o cultivo de tal unidade, o religioso corre o risco de colapso interior, de desorientação e desânimo, perdendo aos poucos a própria razão de ser de sua consagração.

“É, precisamente, no simples quotidiano que a vida consagrada cresce, em progressivo amadurecimento, a fim de se tornar anúncio de um modo de viver alternativo aos do mundo e da cultura dominante. Com o estilo de vida e a busca do Absoluto, sugere quase que uma terapia espiritual para os males do nosso tempo. Por isso, no coração da Igreja representa uma bênção e um motivo de esperança para a vida humana e para a própria vida eclesial”.

Extraído do livro Liturgia das Horas e Vida Consagrada,  
Frater Henrique Cristiano José Matos 

>Permanecei em mim…

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Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. 
Aquele que permanece em mim, 
como eu nele, esse dá muito fruto; 
pois sem mim, nada podeis fazer. 
Se permanecerdes em mim, 
e minhas palavras permanecerem em vós, 
pedi o que quiserdes e vos será dado. 
Nisto meu Pai é glorificado: 
que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. 
Como meu Pai me ama,  assim também eu vos amo. 
Permaneceis no meu amor. 
Eu vos disse isso, para que minha alegria esteja em vós,
 e a vossa alegria seja completa. 
(cf Jo 15, 1-11)

>Visita

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Deus esteve aqui.
Chegou quando o Sol ainda dormia
e me confidenciou algumas mudanças
na ordem da minha vida.
Sua beleza era tão intensa
que resolvi não discordar.
Sua voz suave fora tão convincente
que preferi ouvir sem interrompê-lo.
Depois, sentou-se à mesa da minha cozinha, 
bebeu uma xícara de café,
elogiou o sabor e se foi, 
quando eu ainda observava
o seu jeito de sorrir pra mim.

Pe Fábio de Melo, Tempo: saudades e esquecimentos

>O sonho das duas colunas – Dom Bosco

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Em 26 de maio de 1862 São João Bosco tinha prometido a seus jovens que lhes narraria algo muito agradável nos últimos dias do mês.
Em 30 de maio, pois, de noite contou-lhes uma parábola ou sonho segundo ele quis denominá-la. Eis aqui suas palavras:
“Quero-lhes contar um sonho. É certo que o que sonha não raciocina; contudo, eu que contaria a Vós até meus pecados se não temesse que saíssem fugindo assusta”dos, ou que caísse a casa, este o vou contar para seu bem espiritual. Este sonho o tive faz alguns dias.
“Figurem-se que estão comigo junto à praia, ou melhor, sobre um escolho isolado, do qual não vêem mais terra que a que têm debaixo dos pés. Em toda aquela vasta superfície líquida via-se uma multidão incontável de naves dispostas em ordem de batalha, cujas proas terminavam em um afiado esporão de ferro em forma de lança que fere e transpassa todo aquilo contra o qual arremete. Estas naves estão armadas de canhões, carregadas de fuzis e de armas de diferentes classes; de material incendiário e também de livros, e dirigem-se contra outra nave muito maior e mais alta, tentando cravar-lhe o esporão, incendiá-la ou ao menos fazer-lhe o maior dano possível.
“A esta majestosa nave, provida de tudo, fazem escolta numerosas navezinhas que dela recebiam as ordens, realizando as oportunas manobras para defender-se da frota inimiga. O vento lhes era adverso e a agitação do mar parece favorecer aos inimigos.
“Em meio da imensidão do mar levantam-se, sobre as ondas, duas robustas colunas, muito altas, pouco distantes a uma da outra. Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, a cujos pés vê-se um amplo cartaz com esta inscrição: Auxilium Christianorum. (Auxilio dos Cristãos)
“Sobre a outra coluna, que é muito mais alta e mais grossa, há uma Hóstia de tamanho proporcionado ao pedestal e debaixo dela outro cartaz com estas palavras: Salus credentium. (Salvação dos crentes)
“O comandante supremo da nave maior, que é o Romano Pontífice, ao perceber o furor dos inimigos e a situação difícil em que se encontram seus fieis, pensa em convocar a seu redor aos pilotos das naves ajudantes para celebrar conselho e decidir a conduta a seguir. Todos os pilotos sobem à nave capitaneada e congregam-se ao redor do Papa. Celebram conselho; mas ao ver que o vento aumenta cada vez mais e que a tempestade é cada vez mais violenta, são enviados a tomar novamente o mando de suas respectivas naves.
“Restabelecida por um momento a calma, O Papa reúne pela segunda vez aos pilotos, enquanto a nave capitã continua seu curso; mas a borrasca torna-se novamente espantosa.
“O Pontífice empunha o leme e todos seus esforços vão encaminhados a dirigir a nave para o espaço existente entre aquelas duas colunas, de cuja parte superior pendem numerosas âncoras e grosas argolas unidas a robustas cadeias.
“As naves inimigas dispõem-se todas a assaltá-la, fazendo o possível por deter sua marcha e por afundá-la. Umas com os escritos, outras com os livros, outras com materiais incendiários dos que contam em grande abundância, materiais que tentam arrojar a bordo; outras com os canhões, com os fuzis, com os esporões: o combate torna-se cada vez mais encarniçado. 
“As proas inimigas chocam-se contra ela violentamente, mas seus esforços e seu ímpeto resultam inúteis. Em vão reatam o ataque e gastam energias e munições: a gigantesca nave prossegue segura e serena seu caminho.

“Às vezes acontece que por efeito dos ataques de que lhe são objeto, mostra em seus flancos uma larga e profunda fenda; mas logo que produzido o dano, sopra um vento suave das duas colunas e as vias de água fecham-se e as fendas desaparecem.

“Disparam enquanto isso os canhões dos assaltantes, e ao fazê-lo arrebentam, rompem-se os fuzis, o mesmo que as demais armas e esporões. Muitas naves destroem-se e afundam no mar. 
“Então, os inimigos, acesos de furor começam a lutar empregando a armas curtas, as mãos, os punhos, as injúrias, as blasfêmias, maldições, e assim continua o combate.
“Quando eis aqui que o Papa cai ferido gravemente. Imediatamente os que lhe acompanham vão a ajudar-lhe e o levantam. O Pontífice é ferido uma segunda vez, cai novamente e morre. Um grito de vitória e de alegria ressoa entre os inimigos; sobre as cobertas de suas naves reina um júbilo inexprimível.
“Mas apenas morto o Pontífice, outro ocupa o posto vacante. Os pilotos reunidos o escolheram imediatamente; de sorte que a notícia da morte do Papa chega com o da eleição de seu sucessor. Os inimigos começam a desanimar-se.
“O novo Pontífice, vencendo e superando todos os obstáculos, guia a nave em volta das duas colunas, e ao chegar ao espaço compreendido entre ambas, a amarra com uma cadeia que pende da proa uma âncora da coluna que ostenta a Hóstia; e com outra cadeia que pende da popa a sujeita da parte oposta a outra âncora pendurada da coluna que serve de pedestal à Virgem Imaculada. Então produz-se uma grande confusão.

“Todas as naves que até aquele momento tinham lutado contra a embarcação capitaneada pelo Papa, dão-se à fuga, dispersam-se, chocam entre si e destroem-se mutuamente. Umas ao afundar-se procuram afundar às demais. Outras navezinhas que combateram valorosamente às ordens do Papa, são as primeiras em chegar às colunas onde ficam amarradas.
“Outras naves, que por medo ao combate retiraram-se e que se encontram muito distantes, continuam observando prudentemente os acontecimentos, até que, ao desaparecer nos abismos do mar os restos das naves destruídas, remam rapidamente em volta das duas colunas, e chegando às quais se amarram aos ganchos de ferro pendentes das mesmas e ali permanecem tranqüilas e seguras, em companhia da nave capitã ocupada pelo Papa. No mar reina uma calma absoluta.”

Ao chegar a este ponto do relato, Don Bosco perguntou a São Miguel Rua:
— O que pensas desta narração?
São Miguel Rua respondeu:
— Parece-me que a nave do Papa é a Igreja da qual ele é a Cabeça: as outras naves representam aos homens e o mar ao mundo. Os que defendem à embarcação do Pontífice são os fieis à Santa Se; os outros, seus inimigos, que com toda sorte de armas tentam aniquilá-la. As duas colunas salvadoras parece-me que são a devoção a María Santíssima e ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.
São Miguel Rúa não fez referência ao Papa cansado e morto e São João Bosco nada disse tampouco sobre este particular. Somente acrescentou:

— Hás dito bem. Somente terei que corrigir uma expressão. As naves dos inimigos são as perseguições. Preparam-se dias difíceis para a Igreja. O que até agora aconteceu (na história da Igreja) é quase nada em comparação ao que tem de acontecer. Os inimigos da Igreja estão representados pelas naves que tentam afundar a nave principal e aniquilá-la se pudessem. Só ficam dois meios para salvar-se dentro de tanto desconcerto! Devoção a Maria. Freqüência dos Sacramentos: Comunhão freqüente, empregando todos os recursos para praticá-la nós e para fazê-la praticar a outros sempre e em todo momento. Boa noite!